Carneiros-das-neves de Putorana: os ‘aborígenes’ das remotas montanhas do Extremo Norte

Dmítri Boldirev/Reserva Natural de Putorana
No alto das montanhas, onde nenhum ser humano jamais esteve, um animal incrível encontrou seu refúgio. Está separado de seus parentes mais próximos por mil quilômetros. Vamos visitar o carneiro-das-neves de Putorana.

O Planalto Putorana é uma cordilheira gigante para além do Círculo Polar Ártico. Por ser uma das reservas mais isoladas do mundo, é de difícil acesso para uma pessoa comum. Também é famosa por suas paisagens incríveis: montanhas de topo plano pontilhadas de cachoeiras e cânions profundos.

O carneiro-das-neves de Putorana, uma subespécie da Ovis nivicola, encontrou seu lar ali. Por incrível que pareça, seus parentes mais próximos estão a mil quilômetros desta região, no norte da Iakútia.

Eremitas de paisagens rochosas

Na Rússia, os carneiros-das-neves vivem principalmente na Iakútia (os moradores locais os chamam de ‘tchubuka’), Kamtchatka, Tchukotka e Sacalina. Mais de 70.000 habitam as paisagens montanhosas da Sibéria Oriental e do Extremo Oriente da Rússia. Enquanto isso, há parentes desses carneiros selvagens vivendo na América do Norte e outras partes da Ásia.

Em quase todos os lugares, as populações de carneiros-das-neves são bastante solitárias, elas escolhem paisagens rochosas isoladas para viver. Mas, a subespécie mais incrível de carneiros selvagens foi encontrada no Planalto Putorana (ao norte da região de Krasnoiarsk). Esta é a fronteira ocidental do seu habitat, que fica a mais de mil quilômetros da população iacuta.

Os cientistas acreditam que eles chegaram à região há cerca de 12.000 anos, quando florestas começaram a surgir no norte da Sibéria Oriental, privando os animais de pastagens. Além de preferirem a paisagem rochosa do montanhoso Planalto Putorana, em caso de perigo, escondem-se nas rochas.

Na aparência, eles não diferem muito de seus parentes: atarracados, com chifres robustos e torcidos e pelo branco nas patas traseiras. Aliás, os chifres crescem ao longo da vida e, por eles, é possível distinguir um macho de uma fêmea. Os machos têm chifres grossos, enquanto os das fêmeas são finos.

Censo incerto

Os carneiros-das-neves de Putorana estão listados no Livro Vermelho da Rússia como animais em risco de extinção. Foi para preservar a subespécie que criou-se, em 1988, a Reserva Natural de Putorana. Lá é proibido caçá-los.

Ainda assim, é extremamente difícil calcular o número exato. Segundo fontes diversas, há cerca de 1.500, mas outros dizem que são até 6.000. Rebanhos de 20 carneiros são considerados grandes. O número de carneiros também é influenciado por predadores (lobos, glutões), além de outros fatores naturais.

Netos adotivos

Os cientistas também chamaram a atenção para as “tradições familiares” desses carneiros. Por exemplo, machos e fêmeas vivem separados durante a maior parte do ano. Os machos jovens possuem seus próprios rebanhos, que consistem em indivíduos aparentados entre si — irmãos, primos.

Em novembro e dezembro, acontece uma “temporada de casamentos”, e as disputas são resolvidas em “torneios”, nos quais lutam com chifres. O vencedor tem o direito de cortejar a fêmea. No final da primavera, os casais geralmente dão à luz filhos. As jovens mães formam “rebanhos maternos”, enquanto os jovens pais voltam à sua vida habitual.

Normalmente, na natureza, essas “famílias” consistem apenas de uma mãe e seus filhos. Mas, em rebanhos de carneiros-das-neves de Putorana, os cientistas também encontraram “avós” — que cuidam de seus filhos e netos e até mesmo dos netos de outros carneiros. Isto pode acontecer devido a condições mais adversas do que outros habitats de carneiros selvagens. 

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