Projeto de lei prevê criminalização de atletas por doping

Debate será realizado no Parlamento após eleições do próximo dia 18. Entre sugestões está ainda a formulação de um novo sistema antidoping padronizado.
Olga Kaniskina teve medalha de prata da Londres-2012 cassada Foto:Anton Denisov/RIA Nôvosti

Os atletas russos poderão ser responsabilizados criminalmente por doping, segundo projeto de lei apresentado na Duma de Estado (câmara dos deputados na Rússia) e que será, em breve, discutido em sessão.

A iniciativa foi recebida com elogios pelo tetracampeão olímpico em biatlo Aleksander Tíkhonov, que avalia a medida como “muito eficaz”.

“Isso é algo importante que já deveríamos ter há muito tempo. Tenho insistido nisso todos os anos desde 1992”, disse Tíkhonov à Gazeta Russa.

“Este ano participei de um conselho de especialistas na Duma, onde fiz apenas uma pergunta: ‘Por que não se adota uma lei contra o doping?’. Mas ninguém soube me dar uma resposta então”, acrescentou o ex-atleta.

A medida é uma das propostas feitas pela comissão antidoping criada pelo presidente Vladímir Pútin após o escândalo de doping às vésperas da Olimpíada do Rio.

De acordo com o membro honorário do Comitê Olímpico Internacional e presidente da nova comissão russa, Vitáli Smirnov, a principal tarefa do grupo é desenvolver e introduzir um plano nacional de luta contra a dopagem.

Entre as ideias está a formulação de um sistema antidoping transparente, unificado e padronizado, bem como a conversão da Agência Antidoping da Rússia (Rusada) em um órgão economicamente independente das várias estruturas governamentais.

“O órgão seria financiado diretamente do orçamento federal”, explicou Smirnov.

As sugestões da comissão serão avaliadas pela nova composição do Parlamento russo, após as eleições no próximo domingo (18).

Confissão pós-polêmica

A nova comissão antidoping tem por objetivo resolver o problema evidenciado durante o escândalo de doping que resultou na suspensão de vários representantes da seleção olímpica russa e no banimento de todos os paratletas da Rio-2016.

Embora diversos políticos e representantes da sociedade russa justifiquem que a polêmica seria uma campanha política contra a Rússia, Smirnov reconhece que a luta contra o problema não havia recebido até então a devida atenção.

“Espero que isso restaure a confiança em nosso sistema antidoping e no sistema de organização dos esportes em nosso país. Parte dos casos de doping era verdade, temos de mudar a nossa forma de trabalhar para administrar esses casos”, disse o vice-primeiro-ministro russo, Arkádi Dvorkovitch, à agência R-Sport.

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