Parlamento russo sugere pena criminal para sequestro de noivas

20 de abril de 2017 Oleg Egorov, Gazeta Russa
Prática ainda é comum em regiões no sul do país.
Kidnapping
Cena do filme soviético "A Prisioneira do Cáucaso" (1967) Foto:kinopoisk.ru

O porta-voz do parlamento da Inguchétia (república russa no norte do Cáucaso), Zelimkhan Evloiev, sugeriu uma pena de três anos de prisão para quem sequestrar mulheres e forçá-las a se casarem, informou a agência de notícias russa TASS. De acordo com o porta-voz, o sequestro de noivas está se tornando mais frequente no Cáucaso, a despeito dos esforços das autoridades para eliminar a prática.

O código criminal russo possui uma lei de “abdução”, que prevê uma pena de prisão de até 15 anos, dependendo do número de homens envolvidos no crime e suas consequências. Mas a lei também determina que se a mulher sequestrada for libertada voluntariamente por seu captor a acusação será retirada.

A maior parte dos sequestros de noivas acaba sem punição, já que as vítimas não contatam a polícia porque têm medo de ter sua honra e “pureza” questionadas se o caso vier a público.

No dia 12 de abril passado, um sequestro de noiva na Inguchétia chegou à corte de Justiça. Um grupo de pessoas raptou de forma violenta uma jovem de 19 anos que estava em casa, e seu paradeiro continua desconhecido.

A tradição de sequestrar noivas ainda existe em muitas repúblicas do Cáucaso. O líder da Tchetchênia, Ramzan Kadirov, disse que a república conseguiu erradicar o sequestro de jovens, mas no Daguestão e na Inguchétia ainda acontecem muitos casos.

No Daguestão, a cada ano a polícia recebe cerca de 50 ligações de pais que tiveram suas filhas raptadas, de acordo com Elena Samóilova, diretora do documentário “Sequestro em estilo caucasiano”. Segundo ela, surpreendentemente, muitas garotas não se opõem a serem raptadas.

Na rede social VKontakte, a mais popular da Rússia, há um grupo chamado Sequestro de Noivas no Cáucaso, com cerca de 900 membros. De acordo com uma pesquisa, 56,9% dos homens do grupo raptam mulheres porque não recebem o consentimento dos pais para o casamento, enquanto 32,8% dizem ter feito isso por desespero, quando tanto os pais quanto a mulher recusaram o casamento.

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