O que pensa a América Latina sobre Pútin?

13 de fevereiro de 2017 Dmítri Fominikh, Gazeta Russa
Três especialistas argentinos explicam por que imagem de líder russo divide opiniões.
Em petição recente, mexicanos pediram intervenção de Pútin "contra o mau governo" no país latino-americano Foto:Kremlin.ru

A personalidade do presidente russo Vladímir Pútin gera bastante interesse nos países da América Latina. As opiniões se dividem e muitas vezes refletem as informações recebidas por sites, telejornais e agências de notícias. Há, porém, um grupos de pessoas que expressam claramente seu apoio ao líder russo e ainda acreditam que só ele poderia trazer a ordem em seus próprios países.

Um exemplo recente foi a petição on-line no site change.org em que Vladímir Pútin é chamado “intervenção russa no México para eliminar o governo ruim”. Na Argentina, o presidente russo também tem seus seguidores. Quando ele visitou o país em julho de 2014, cartazes de boas-vindas eram visto por todo o cortejo presidencial.

Segundo os especialistas argentinos consultados pela Gazeta Russa, Pútin é percebido na região como um líder mundial, forte e carismático, apesar do retrato negativo muitas vezes reproduzido nos meios de comunicação nacionais e internacionais.

“Pútin tem a imagem de um líder forte, que restaurou a ordem no país e fez com que a Rússia voltasse a ter protagonismo nos assuntos internacionais”, afirma Alberto Hutschenreuter, doutor em Relações Internacionais.

“Pútin também remete a um país enorme, que alcançou impressionantes vitórias bélicas, o que leva a associar o presidente russo com força. Em alguns setores, se vê o presidente recordando o apoio da Rússia [URSS] à Argentina em 1982. E isso leva a considerá-lo como alguém que ‘está com a Argentina perante o Ocidente”, continua.

Hutschenreuter destaca, porém, que “uma coisa é a opinião das pessoas, e outra, a dos governos”. O observador argentino acredita que Buenos Aires, por exemplo, tinha mais proximidade com Pútin durante o governo Kirchner, “embora isso não significasse que sabia exatamente o que acontecia com a Rússia, o que levou a fazer cálculos errôneos quando Moscou proibiu a importação de alimentos do Ocidente”.

A afinidade anterior com a Argentina se devia, segundo Hutschenreuter, ao distanciamento do país latino-americano em relação às políticas ocidentais.

“Com o atual governo não se pode dizer que haja grande conhecimento, mas há chance de aumentar a cooperação”, conclui Hutschenreuter.

Fernando Riva Zucchelli, jornalista e diretor da revista “Noticias Urbanas”, disse em entrevista à Gazeta Russa que “entre os segmentos mais politizados [da região], a imagem de Pútin é de líder forte”. Paralelamente, tanto para o governo como para a oposição, a instabilidade no Oriente Médio é percebida como um assunto distante, com exceção dos refugiados que sempre causam “compaixão”, embora não se entenda as reais causas do problema. “O fenômeno terrorista do Estado Islâmico é levado em conta somente quando há ataques nas cidades europeias”, diz o jornalista.

Segundo Zucchelli, o presidente russo é considerado na Argentina como um dos líderes mais importantes do mundo. “Ele é visto mais como um concorrente da União Europeia do que como um parceiro. Sua boa sintonia com Donald Trump fez os críticos arregalaram os olhos, perplexos e incrédulos com a nova realidade, já que haviam aderido à campanha para desacreditar a Rússia montada por Obama”, diz.

O especialista acredita que a possível aliança entre os dois países gera preocupação nos setores políticos, “mas, eventualmente, ajudará a criar uma melhor imagem da Rússia e de Pútin na região”.

Para Tomás Varnagy, doutor em ciências sociais da UBA (Universidade Buenos Aires), a imagem pública e a avaliação de Pútin refletem a posição dos meios de comunicação. “As opiniões variam, dependendo do ponto de vista ideológico, da mesma forma que a ex-presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, era apoiada por alguns e vilipendiada por outros”, explica.

“Por um lado, há aqueles que o consideram um tirano e ditador (apesar de ter sido democraticamente eleito) e um perigo para a paz e a estabilidade mundial (por suas ações na Crimeia). Há também aqueles que consideram o líder corrupto de um Estado mafioso, apoiado por oligarcas, burocratas e membros do crime organizado”, afirma.

Por outro, porém, Pútin é “bem conhecido, avaliado e aprovado por ser um líder carismático, respeitado e temido, que resgatou o grande poder da União Soviética, e tentar colocar a Rússia em seu lugar ao lado dos EUA e da China . Tem uma visão geopolítica clara e lida com a diplomacia de mão pesada, levando a Rússia em direção a um destino de grandeza”.

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