Rússia supera China em ranking mundial de estabilidade

21 de dezembro de 2016 Aleksêi Lossan, Gazeta Russa
Indicadores fiscais contribuíram para posição de Moscou em pesquisa do Bank of America envolvendo países emergentes. Brasil figura em 8º lugar na lista.
Crescimento da produção industrial na Rússia será de 2,1% até 2019, segundo previsões oficiais Foto:Artiom Jitenev/RIA Nôvosti

A Rússia ficou em segundo lugar na classificação das economias emergentes mais estáveis divulgada recentemente pelo Bank of America Merrill Lynch, perdendo apenas para Coreia do Sul. Pequim segue logo atrás de Moscou, na 3ª posição.

De acordo com o banco, embora demonstre fraco crescimento econômico, a Rússia possui alguns indicadores fiscais mais estáveis do mundo.

“A China permanece entre os cinco primeiros em crescimento do PIB, mas perdeu terreno nos indicadores de dívida pública e privada, crédito em conta corrente e adequação de reservas”, explicou o estrategista do Bank of America, David Hauner.

Ainda segundo os autores, a Rússia retorna com sucesso ao ranking após sua economia ter sofrido com a queda dos preços do petróleo em 2014.

O ranking leva em conta diversos indicadores de estabilidade, desde crescimento econômico a inflação e arrecadação de impostos.

A China, que caiu para o terceiro lugar, é seguida no ranking por Índia, Indonésia, Polônia, México, Brasil, Turquia e África do Sul (que manteve o último lugar na lista por causa de “estagflação, déficits gêmeos e alto índice de dívida entre setores”).

Motor industrial

De acordo com os dados divulgados pelo Ministério da Indústria e Comércio russo, a produção industrial no país deve terminar o ano com um saldo positivo simbólico.

Além disso, a produção industrial entre janeiro e outubro de 2016 cresceu 0,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Pelas previsões oficiais, esse crescimento aumentará de 0,4% em 2016 para 1,1% em 2017, 1,7% em 2018 e 2,1% em 2019.

“Considerando as sondagens entre gerentes corporativos, a atividade de negócios na indústria russa em novembro se mostrou a mais alta dos últimos cinco anos”, diz Serguêi Tsukhlo, chefe do departamento de pesquisas de negócios do Instituto Gaidar de Política Econômica.

Escalada nos rankings

Segundo os analistas, o avanço da Rússia do 51º para o 40º lugar no recente ranking Doing Business, do Banco Mundial (que classifica a facilidade de fazer negócios em 190 países), também aponta para uma melhoria no clima de negócios do país.

“Este é um acontecimento bastante significativo, tanto para os negócios russos como para a economia como um todo. A classificação russa é melhor do que a dos outros Brics, embora ainda esteja longe dos líderes”, diz Timur Nigmatullin, analista financeiro da consultoria investimentos Finam, em Moscou.

“Além disso, a Rússia ficou entre os cinco primeiros países em termos de reformas, o que afetou sua classificação no ranking do Banco Mundial”, acrescenta Nigmatullin.

Entre os pontos fortes de Moscou estão a facilidade de obtenção de ligação à rede elétrica, registro de propriedades e execução de contratos.

As classificações mais altas obtidas recentemente poderão ter impacto positivo na atração de investimentos, compensando a queda gerada por tensões políticas com o Ocidente, acredita o analista da Finam.

A tendência vem sendo intensificada pelos esforços assumidos pelas autoridades russas para melhorar a posição do país nos estudos internacionais, incluindo a redução de processos burocráticos, sugere Serguêi Khestanov, consultor de macroeconomia para a empresa de corretagem Otkrytie Broker, em Moscou.

“Com o tempo, o progresso consistente nessa área levará a Rússia para as posições de liderança, mas, para tanto, o ainda há muito a ser feito”, diz. 

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