Tu-154 russo desarmado sobrevoa Casa Branca

11 de agosto de 2017 Nikolai Litôvkin
Um avião russo foi visto sobrevoando a Casa Branca esta semana, acirrando os ânimos de algumas autoridades de Washington. Mas não faz muito tempo que tropas russas e americanas estavam andando de mãos dadas pela Praça Vermelha.
Avião trimotor Tupolev Tu-154 Foto:Dmítri Terekhov

Um avião Tu-154 russo foi visto sobrevoando Washington na última quarta-feira (9). Segundo o Pentágono, a aeronave voou um quilômetro acima da Casa Branca e de outras estruturas na capital americana. Moscou tinha autorização para fazer isso? Sim.

O Tratado de Céus Abertos, assinado em 2002 por 34 países, estipula que os membros possam realizar voos de vigilância desarmados no espaço aéreo dos signatários.

As nações incluídas no pacto podem reunir informações de inteligência aérea sobre territórios e estruturas estrangeiras – com brevidade. O acordo foi assinado justamente para garantir cooperação e compreensão entre as partes, e evitar futuros conflitos.

Destruindo armas nucleares

O final da Guerra Fria foi marcado por um degelo na cooperação militar russo-americana, e muitos tratados importantes de desarmamento foram assinados na época.

Em 1991, Moscou e Washington concordaram em adotar o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START). Esse acordo bilateral impedia os dois países de implantar mais de 6.000 ogivas nucleares e 1.600 mísseis balísticos intercontinentais (ICBM), bombardeiros estratégicos e submarinos nucleares.

“Graças ao START, especialistas russos e americanos receberam coordenadas dos silos de mísseis nos dois países. Nós até permitimos que especialistas dos EUA acompanhassem o nosso mais míssil balístico intercontinental Topol-M da fábrica aos silos para encorajar a política bilateral de dissuasão nuclear”, disse Vadim Kozulin, professor da Academia de Ciências Militares, à Gazeta Russa.

O mesmo aconteceu com especialistas russos em território americano.

Atualmente está em vigor o chamado ‘Novo START’ (ou START 3), cujo objetivo é reduzir ainda mais o número de armas mortais no planeta. De acordo com o documento, EUA e Rússia podem armazenar até 1.550 ogivas e não podem empregar mais de 700 ICBMs, submarinos nucleares e bombardeiros estratégicos.

Liquidando armas químicas

A ideia original era que os países ajudassem os potenciais adversários a se livrar de suas armas mais perigosas. Os argumentos foram apresentados ao Congresso norte-americano pelo senador democrata para o Estado da Geórgia Sam Nunn; segundo ele, Washington ficaria segura com a extinção das armas de destruição em massa russas.

O governo norte-americano investiu centenas de milhões de dólares na destruição não só de suas próprias armas químicas, mas também da Rússia e de países da ex-URSS.

A Rússia já eliminou 99% do seu arsenal de armas químicas e espera concluir o processo no segundo semestre deste ano. O arsenal de armas químicos dos Estados Unidos não será completamente extinto antes do início dos anos 2020.

Quer receber as principais notícias sobre a Rússia em seu e-mail?
Clique aqui para assinar nossa newsletter.

+
Curta a "Gazeta Russa" no Facebook