Contra crise, agricultura e alta tecnologia crescem na Rússia

8 de agosto de 2017 Ksênia Zubatcheva
Em um cenário de sanções e crise econômica, os investidores tornaram-se mais cautelosos ao investir no país. No entanto, onde há crise, há novas oportunidades. Com a ajuda de analistas, a Gazeta Russa apresenta as áreas mais promissoras.
Ministro da Agricultura russa, Aleksandr Tkatchev, em fazendo produtiva na cidade de Chaminka Khutor Foto:Mikhail Metzel/TASS

As sanções impostas à Rússia e as tensões nas relações com o Ocidente podem ser fatores favoráveis para os negócios no país, segundo os especialistas, e há dois setores que se destacam nesse cenário: a agricultura e a tecnologia da informação.

Segundo Anastassia Névskaia, pesquisadora do Instituto de Economia Mundial e Relações Internacionais da Academia Russa de Ciências, as sanções têm, por exemplo, intensificado os esforços para substituir as importações no setor agrícola.

“A produção interna, as vendas de equipamentos e os negócios vinculados ao setor estão crescendo rem ritmo bastante acelerado, e os empresários estrangeiros contam com todas as oportunidade de se juntar a produção na Rússia”, explica Névskaia.

Além disso, a pesquisadora destaca que, considerando os benefícios da cooperação com especialistas do país, o conhecimento russo nas áreas de matemática e programação pode ser uma vantagem competitiva para as empresas internacionais.

Pútin reunido com representantes internacionais no Fórum Econômico de São Petersburgo (Foto: Aleksêi Drujinin/RIA Nôvosti)Pútin reunido com representantes internacionais no Fórum Econômico de São Petersburgo (Foto: Aleksêi Drujinin/RIA Nôvosti)

“Os profissionais dessa área na Rússia são de três a cinco vezes mais baratos do que seus homólogos americanos, e não são menos competentes”, ressalta Névskaia.

Segundo Kendrick White, fundador e CEO da consultoria Marchmont Capital Partners, com foco na Rússia, os profissionais russos também são capazes de iniciar projetos tanto para tarefas específicas como para as tecnologias de startups.

“À medida que mais e mais países repensam sua abordagem para a produção de alimentos usando tecnologias avançadas, essa seria uma forma racional de resolver o problema da produção, que será insustentável”, diz White. “Esqueçam política, que é um desperdício de tempo. Procurem fazer uma rede de contatos global.”

Fatores positivos

Entrar no mercado russo pode ser difícil, alertam os especialistas, e um negócio ou investimento bem sucedido depende da localização e área de interesse.

“Há muitos nichos vazios no mercado, desde a produção de alta tecnologia à venda de alimentos na rua”, diz Artiom Déiev, analista da consultoria AMarkets, em Moscou.

As exportações russas via e-commerce são, por exemplo, um dos nichos que mais crescem no país, segundo o distribuidor Shiptor.com. Levando em conta o atual crescimento, a empresa estima que o valor dos produtos russos exportados por meio de plataformas on-line dobrará de 2 bilhões de euros em 2016 para 4 bilhões até 2020.

“Roupas, calçados, acessórios e produtos eletrônicos de pequenas e médias empresas russas que surgiram do nada, sem a ajuda de capital estrangeiro, rapidamente atraem a atenção dos consumidores estrangeiros por causa de sua alta qualidade e preços baixos. E, agora, os investimentos também podem beneficiar ajudando tais empresas”, avalia Andrêi Liamin, diretor de desenvolvimento do Shiptor.com.

Por causa de sanções, produtos tradicionalmente importados, como queijo, estão ganhando versões nacionais (Foto: Aleksêi Filippov/RIA Nôvosti)Por causa de sanções, produtos tradicionalmente importados, como queijo, estão ganhando versões nacionais (Foto: Aleksêi Filippov/RIA Nôvosti)

Além disso, devido à pouca probabilidade de as sanções serem levantadas em breve, as oportunidades estão concentrados em áreas com potencial de substituição de importações, aponta Dmítri Elkim, sócio no fundo Twelve Seas Capital.

Os setores de produção automotiva, engenharia e aeronáutica civil, e produção de máquinas para a agricultura são alguns dos que apresentam maior crescimento e cujos volume de importações devem cair bruscamente até 2020.

“A queda do custo do trabalho na Rússia também é benéfica para os envolvidos em negócios que requerem grande quantidade de mão de obra”, acrescenta Déiev.

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