ExxonMobil tenta driblar sanções para acessar Ártico russo

25 de abril de 2017 Maria Kutúzova
Preço da extração de petróleo no Ártico é alto comparado a outras regiões. Ainda assim, norte-americana ExxonMobil quer fortalecer sua posição no mercado russo.
Custo de extração no Ártico é bastante superior ao dos campos no Oriente Médio Foto:Aleksêi Danitchev/RIA Nôvosti

O governo de Washington não dará luz verde para a ExxonMobil e outras empresas norte-americanas interessadas em perfurar áreas cobertas por sanções dos EUA contra a Rússia. Apesar das solicitações, a negativa foi apresentada pelo secretário do Tesouro norte-americano, Steven Mnuchin, no último dia 21 de abril.

Em meados de abril, a ExxonMobil, a maior companhia norte-americana de petróleo e gás, solicitou ao Departamento do Tesouro dos EUA que a isentasse das sanções na área.

A ideia da empresa seria reiniciar a perfuração na região russa do Ártico, em cooperação com a estatal russa Rosneft, de acordo com uma reportagem do “The Wall Street Journal”.

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos já havia permitido à ExxonMobil “ações administrativas limitadas” no âmbito de sua parceria Rosneft. A empresa norte-americana esperava obter agora condições semelhantes às dos concorrentes, como a norueguesa Statoil e a italiana Eni, para a perfuração conjunta nos mares Negro e de Barents.

Cenário imprevisível

Os benefícios para a ExxonMobil do projeto de extração no Ártico não são claros porque os preços do petróleo permanecem baixos.

Segundo Ariel Cohen, especialista do Conselho Atlântico e diretor do Centro de Energia, Recursos Naturais e Geopolítica do Instituto de Análise de Segurança Global, o Iraque, o Irã e a Arábia Saudita dispõem de campos onde é mais barato extrair a commodity.

“O custo da produção de petróleo no Ártico é enorme – entre US$ 100 e 150 por barril”, diz Cohen. “Hoje, nos EUA, eles estão extraindo óleo de xisto a 30 dólares por barril.”

No entanto, a ExxonMobil expressou diversas vezes a intenção de reavivar a cooperação com a Rússia assim que as sanções forem suspensas. Além de Glenn Waller, diretor de operações da ExxonMobil na Rússia, ter falado sobre isso em várias ocasiões, o ex-CEO da ExxonMobil e atual secretário de Estado dos EUA, Rex Tillerson, também afirmou que a empresa estaria aguardando a oportunidade de retomar suas operações na Rússia.

Nas condições atuais, porém, é impossível fazer previsões sobre a cooperação entre as empresas americanas e russas, garante Mikhail Grigoriev, um dos principais especialistas russos em Ártico e diretor da empresa Gekon. “Há muitas coisas acontecendo a portas fechadas, e é uma situação absolutamente imprevisível e opaca”, afirma.

O lado de Moscou

Durante o Fórum do Ártico, realizado no final de março na cidade de Arkhanguelsk, o presidente Vladímir Pútin falou sobre o reinício de projetos conjuntos com os EUA.

No início de abril, em teleconferência com Pútin, o CEO da Rosneft, Ígor Sétchin, anunciou os planos de retomar a perfuração com a ExxonMobil na plataforma do mar de Kara em 2019. Mais tarde, porém, Sétchin esclareceu que, ao falar sobre os projetos no mar de Kara como parte da parceria com a ExxonMobil, estaria se referindo a uma empresa conjunta com participação da companhia norte-americana.

Segundo fontes internas, a estatal russa Rosneft já investiu 100 bilhões de rublos no Ártico. Além disso, entre os anos de 2017 e 2021, está prevista a injeção de outros 250 bilhões de rublos para exploração na região – com perfuração de quatro poços na plataforma do mar de Laptev e oito nos mares de Kara e Barents.

O Centro do Ártico, criado pela Rosneft e ExxonMobil em 2013, continua a fornecer uma ampla gama de serviços de engenharia e pesquisa científica para projetos no Ártico russo. Supunha-se que a empresa americana proveria cerca de US$ 200 milhões para financiar a fase inicial do Centro do Ártico, e os outros US$ 250 milhões subsequentes para pesquisa conjunta seriam fornecidos pela Rosneft e pela ExxonMobil.

Corrida americana no Ártico russo

A ExxonMobil não é a única empresa americana a desenvolver operações na plataforma russa, apesar das sanções. Em 2015, a General Electric e a Rosneft criaram o Sapfir, um centro de aprendizagem e engenharia aplicada. As tecnologias avançadas da GE serão utilizadas, por exemplo, na criação do complexo de construção naval Zvezda, no Extremo Oriente. As companhias também criaram uma empresa conjunta para a produção de bocas de poço.

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