Por que a Rússia não quer entrar na Opep?

17 de março de 2017 Maria Kutúzova
Apesar dos sucessos da política externa no mercado de petróleo, ministro da Energia russo negou qualquer possibilidade de adesão da Rússia à Organização dos Países Exportadores de Petróleo.
CERAWeek in Houston
Segundo analista, Opep e Moscou "não gozam de confiança mútua". Foto:Reuters

Apesar dos sucessos da política externa russa no mercado de petróleo, ministro da Energia negou qualquer possibilidade de adesão da Rússia à Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo).

“Atualmente, não consideramos a possibilidade da adesão da Rússia à OPEP, embora nossas relações com os membros da organização venham mostrando que a cooperação é necessária e viável", declarou Aleksandr Novak durante a conferência de petróleo CERAWeek, em Houston, EUA, no início de março.

Novak já havia declarado repetidamente a influência limitada da Opep sobre o mercado internacional.

Analistas afirmam, que, nos últimos meses de 2016, a coordenação das negociações entre a Rússia e outros países exportadores de petróleo ocorreu graças aos esforços geopolíticos da Rússia.

Em 30 de novembro de 2016, os membros da Opep concordaram em diminuir a produção de petróleo em 1,2 milhão de barris por dia.

Outros onze países produtores que não fazem parte do grupo, incluindo a Rússia, concordaram em cortar 558 mil barris por dia da produção de petróleo.

Atualmente, a Rússia produz 300 barris por dia.

"A Opep e a Rússia não gozam de confiança mútua, somos concorrentes, não parceiros", diz o editor responsável por mercados de petróleo da Thomson Reuters,  Gleb Gorodiánkin.

Segundo ele, Moscou enfrenta dificuldades nas negociações com a Opep devido às diferenças de objetivos e às contradições dentro do cartel.

"Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kuait, Irã e Catar não estão sobrecarregados com dívidas significativas, e querem aumentar presença no mercado, enquanto os países pobres que fazem parte do grupo, como Angola, Nigéria, Venezuela e Curdistão, estão interessados no aumento dos preços para fazer frente ao aumento das despesas", diz Gorodiánkin.

Sem resposta à revolução do xisto

Os economistas afirmam que é pouco provável que o cartel do petróleo continue a congelar a produção porque essas medidas levam a um aumento dos investimentos na extração de petróleo de xisto nos Estados Unidos. 

Segundo previsão do governo norte-americano, os EUA aumentarão a produção de petróleo em 10%, chegando a 10 milhões de barris por dia. Assim, o país baterá o recorde registrado em 1970.

As empresas que exploram reservas de xisto betuminoso estão tomando a participação de mercado da Opep, que limitou a produção esperando um aumento nos preços.

De acordo com o economista-chefe da BP na Rússia e na CEI (Comunidade dos Estado Independentes), Vladímir Drebentsóv, a Opep não teve resposta ao crescimento da produção do petróleo de xisto.

"Se os preços não tivessem subido para US$ 120 a US$ 140 por barril, não ouviríamos sobre os depósitos de xisto nos EUA por vários anos. No entanto, a revolução já aconteceu, o gênio saiu da garrafa, e não podemos fazer nada”, diz Drebentsóv.

Membros instáveis

Segundo o analista da empresa financeira Citi Futures, Tim Evans, hoje, o mercado de petróleo parece tão instável quanto um castelo de cartas, e pode entrar em colapso com qualquer notícia negativa.

O Irã, por exemplo, que é membro da OPEP, extrai 3,8 milhões de barris por dia e está aumentando as exportações vendendo petróleo acumulado durante anos de sanções. No início de 2017, o volume das reservas do Irã caiu de 29,6 milhões para 16,4 milhões de barris.

O Iraque também está aumentando a produção. O primeiro-ministro do país, Haider al-Abadi, citou um aumento da extração no Curdistão.

Assim, em dezembro, a produção de petróleo das jazidas controladas pelos curdos na Turquia atingiu 587 mil barris por dia, o dobro da taxa permitida, de 250 mil barris diários.

Outro fator de instabilidade é a Líbia que pretende dobrar a produção em 2017, aumentando a extração em sua maior jazida, a El Sharara, e reiniciando as operações no terminal de exportação Az Zawiya. No início de janeiro, o país produziu 700 mil barris por dia.

Como funciona a Opep?

A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) é uma organização internacional com sede em Viena criada em 1960 durante a Conferência de Bagdá. O mecanismo visa coordenar de maneira centralizada a política petrolífera dos países-membros para restringir a oferta de petróleo no mercado internacional. É composta por 13 países: Angola, Arábia Saudita, Argélia, Equador, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Iraque, Kuait, Nigéria, Qatar, Irã, Líbia e Venezuela.

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