Salão militar no Peru reúne novas tecnologias russas

19 de maio de 2017 Nikolai Litôvkin
Mais de 250 modelos de equipamento russo estão sendo apresentados em feira até domingo (21). Reforçar presença na região é um dos objetivos de Moscou no evento.
Sistema de mísseis TOR M2U é um dos destaques de estande russo Foto:Vitáli Kuzmin/wikipedia

O Salão Internacional de Tecnologia para Defesa e Prevenção de Desastres Naturais (Sitdef), que começou nesta quinta-feira (18) em Lima, no Peru, reúne os mais modernos equipamentos militares de 27 países. Além da Rússia, Alemanha, China, Estados Unidos, e França são destaques na feira.

Entre as inovações, a Rosoboronexport (estatal russa responsável pelas vendas de equipamento militar ao exterior) está expondo o avião de treinamento e combate Yak-130, o caça multifuncional MiG-29M e o Su-30MK; alguns helicópteros, como o de transporte Mi-171Sh, e de combate Mi-28NE e Mi-35M, também estão presentes.

O aparato terrestre russo na feira é composto pelo T-90C, os tanques de guerra BTR-80A e BTR-82A. A seção de escudos antimísseis inclui ainda o sistema de mísseis superfície-ar Pântsir-S1 e os mais modernos sistemas portáteis de mísseis  S-400 Triumf.

Mi-35M da Força Aérea Russa (Foto: Aleksêi Mikheev/Russian Helicopters)Mi-35M da Força Aérea Russa (Foto: Aleksêi Mikheev/Russian Helicopters)

Mais lobby, menos venda

Embora a Rússia esteja apresentando diversas amostras de sua tecnologia militar na Sitdef-2017, os especialistas consultados pela Gazeta Russa não acreditam que Moscou tenha a esperança de assinar contratos para o fornecimento de armas.

“Nesses tipos de feiras, os vendedores só defendem seus interesses e fazem lobby. Possíveis contratos serão discutidos mais tarde, individualmente, se um cliente mostrar interesse na tecnologia militar russa”, diz o analista da TASS Víktor Litôvkin.

Segundo o especialista, a feira também servirá para discutir os serviços de manutenção para caças MiG-29 – comprados por países latino-americanos da Bielorrússia e da Ucrânia nos anos 1990 sem consultar Moscou.

“Na época houve um atrito por causa disso, mas parece que o assunto será discutido esses dias, já que nem Kiev nem Minsk podem oferecer à América Latina tecnologia militar pronta para voar”, diz Litôvkin.

Serviço pós-venda para MiG-29 é um dos temas de encontro (Foto: Vadim Savitsky/Global Look Press)Serviço pós-venda para MiG-29 é um dos temas de encontro (Foto: Vadim Savitsky/Global Look Press)

A modernização do parque de tanques T-72 no Peru, para o nível T-72B3, também deve estar em pauta. “É necessário discutir a criação de um centro de serviço pós-venda para os tanques no Peru, não faz sentido transportar o equipamento à Rússia para manutenção. Se esses acordos não forem assinados agora, serão em breve”, acrescenta o analista.

Não se deve esperar, porém, a assinatura de grandes contrato durante o eventos: devido à queda dos preços do petróleo, os potenciais compradores perderam seu poder de compra.

Fatia latino-americana

“A América Latina é vista como o ‘quintal dos Estados Unidos. Enquanto o país se envolvia no Oriente Médio, a Rússia entrou em um grande mercado de armas ao lado deles e abocanhou uma fatia”, diz uma fonte da indústria de defesa russa.

Os países latino-americanos são atualmente o segundo maior mercado para venda de armas russas, perdendo apenas para o Sudeste Asiático. “E Moscou pretende desenvolver a cooperação na região”, conclui a fonte.

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