Depois da Ásia, produção de eletrônicos russos volta para casa

10 de maio de 2017 Aram Ter-Gazarian
Queda do rublo barateou a produção de tablets, smartphones e outros gadgets. Logística conveniente e força de trabalho especializada também atraem desenvolvedores.
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Salários, aluguel e componentes estão se mostrando mais compensadores em casa. Foto:Vitaly Nevar/TASS

Diversos desenvolvedores russos estão começando a colocar suas ideias em prática em casa. De acordo com o economista Nikita Krichevski, alguns companhias já começaram a transferir sua produção da China à Rússia.

“Na Rússia, os custos – salários, aluguel e componentes – caíram significativamente. Além disso, a logística é mais simples: uma coisa é transportar os bens da China, e outra bem diferente é fazê-lo partindo da Rússia Central”, diz Krichevski.

De acordo com ele, frequentemente são empresários chineses que têm iniciado a produção na Rússia, transferindo suas plantas e fábricas para o país. “Executivos chineses já tiveram a experiência de lançar e gerenciar produções bem-sucedidas”, diz.

Os fundadores da companhia “Hamster” estão entre os primeiros a dar esse passo, levando a produção do “PlayPad”, um tablet pata crianças que eles desenvolveram, da China à cidade de Jeleznodorojni, próxima a Moscou. Agora, o equipamento está sendo vendido nas maiores lojas de rede da Rússia. A companhia está considerando a possibilidade de fazer entregas ao Leste Europeu.

“A maior vantagem do nosso tablet é que as ações da criança são completamente controladas por meio do PC ou do smartphone do adulto. Em um futuro próximo, começaremos a montar nossos próprios equipamentos e smartphones, assim como robôs humanóides para ensinar crianças bastante novas”, explica Roman Burmistrov, um dos fundadores da startup.

O primeiro lote de “PlayPads” foi feito na China e praticamente se esgotou da noite para o dia. Então, Burmistrov e seu sócio Denís Bulávin comparam os custos de produção na Rússia e na China e perceberam que produzir na região de Moscou, onde o aluguel é caro para os padrões russos, saía a metade do preço chinês. Esse fator foi decisivo.

“Reformamos o estabelecimento e empregamos pessoas com quem trabalhamos lado a lado no início, ensinando todo o processo de montagem. E já uma semana depois iniciamos a produção”, conta Burmistrov.

Além do “PlayPad” e de alguns outros tablets, alguns equipamentos para diagnóstico pessoal de saúde também já são montados na Rússia. Um desses é o “AngioScan-01P”, usado para escaneamento de vasos sanguíneos em casa para estabelecer os riscos de doenças cardiovasculares anos antes de os sintomas clínicos se manifestarem.

“O interesse dos investidores está crescendo e gigantes como o ‘Alibaba’ investem agora ou compram diretamente muitos projetos russos. Mas eu não chamaria isso de tendência”, diz o diretor de investimentos da Fundação Skôlkovo, Vladímir Sakovitch.

“Para o desenvolvimento em grande escala, é preciso trabalho sistemático. Na falta desse as companhias russos estão continuando a vender seus produtos a corporações globais”, completa.

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