10 curiosidades para celebrar o aniversário do Bolshoi

28 de março de 2016 Oleg Krasnov
Marco histórico e atração turística, teatro completa 240 anos nesta segunda-feira (28). Diretora do Museu do Bolshoi, Lidia Kharina revelou à Gazeta Russa os fatos menos conhecidos e mais curiosos da história do principal teatro do país.
Em mais de dois séculos, teatro sobreviveu a tragédias, ataques e diferentes regimes políticos Foto:Assessoria de imprensa

Licitação para o teatro

Considera-se que a história do Bolshoi tenha iniciado em março de 1776, quando o príncipe Piotr Urusov recebeu permissão da Imperatriz Catarina II para abrir um teatro público em Moscou. Pouco tempo depois soube-se que a ordem de licitação pública da imperatriz foi emitida em 1766.

Quatro projetos foram recebidos: de um homem francês, de dois italianos e do russo Nikolai Titov. Este último venceu e fundou então um teatro lírico à margem do rio Iauza, que realizou sua primeira apresentação em 21 de fevereiro de 1766. Pode-se dizer que a história do Bolshoi começou com essa casa de ópera.

The theater in 1780s. Source: Press photoIlustração de arredores do teatro na década de 1780 Foto: Press photo

Donos gringos

Três anos depois, Titov estava praticamente falido de tantas dívidas e foi obrigado a vender a licença tzarista para a construção do teatro. Foi primeiro comprada por dois italianos, Belconti e Cinti, e depois anos mais tarde revendida para outro italiano, Gratti. Passados cinco anos, foi a vez do russo Piotr Urusov adquirir a permissão.

O edifício que Urusov construiu pegou fogo antes mesmo da inauguração, e ele decidiu vender a empresa para o matemático inglês Michael Maddox, que havia se mudado de Oxford a convite do tsarevitch Pável Romanov, para lhe ensinar ciências.

Foi Maddox que escolheu o local onde o Bolshoi se encontra hoje. O primeiro edifício de tijolos e três andares foi inaugurado em uma cerimônia solene no dia 30 de dezembro de 1780.

Animadores de auditório

O teatro erguido por Maddox tinha um salão com cerca de mil lugares, um palco e um fosso de orquestra. Bem acima do palco havia frisas onde “os amantes do teatro” se sentavam – e quase todo mundo pertencia à nobreza.

Eram eles que davam os sinais para o público. Por exemplo, se eles mostrassem dois dedos, todos teriam que aplaudir alto.

Esses nobres podem ser considerados os antecessores do ‘claque’, termo inicialmente usado em referência aos profissionais contratados para aplaudir espetáculos em teatros e casas de ópera francesas e que, mais tarde, se estendeu também para os animadores de programas de auditório e humorísticos.

Source: Press photo Nobreza tinha função de animar audiência durante espetáculos Foto: Press Photo

Festança na ópera

A capital austríaca sedia os bailes de ópera mais famosos da atualidade. No entanto, a Ópera Estatal de Viena foi construída quase cem anos depois do Bolshoi. A princípio, Maddox pensou em criar salas de descanso no teatro, onde durante o dia as mulheres pudessem socializar e os homens, fazer negociações. Em 1788, o Bolshoi ganhou um salão circular, onde os bailes passaram a ser realizados.

Prima ballerina francesa

Por mais absurdo que soe hoje, a prima ballerina do Bolshoi foi a francesa Félicité-Virginie Hullin Sor, que se mudou para Moscou a convite de seu marido dançarino. A plateia ficou fascinada com os movimentos da bailarina estrangeira na estreia em 6 de janeiro de 1825, após a reconstrução do edifício incendiado.

Demolição do Bolshoi

Em 1918, Vladímir Lênin insistiu em demolir o Teatro Bolshoi. Segundo ele, a ópera era uma arte burguesa, custosa e cujos artistas eram arrogantes e só queriam dinheiro. Surpreendentemente, foi Iossif Stálin e Anatóli Lunatchárski, considerado o primeiro ministro da Cultura da URSS, que fizeram Lênin mudar de ideia.

Musas soviéticas

O painel “Apolo e as musas” foi pintado no teto em meados do século 19. Em 1940, o governo realizou um concurso para recolorir as musas no “estilo do trabalhador soviético”.

A plafond with the painting 'Apollo and the muses'. Source: Press photoMural 'Apolo e as musas' é atração à parte no teto do teatro Foto: Press photo

Muitos artistas soviéticos conhecidos na época participaram da competição, incluindo Evguêni Lansere e Konstantin Iuon. No início da Segunda Guerra Mundial, o teto foi danificado por uma bomba.

Durante os trabalhos de recuperação, o restaurador Pável Korin adicionou novas musas dos camponeses.

Censura por trás da cortina

A censura esteve presente tanto na época tsarista, como no regime soviético.

No Império, o compositor só podia fazer uso de uma coleção especial de libretos escritos exclusivamente por autores russos.

Já em 1948, houve um episódio em que todos os gestores – do diretor-geral ao maestro principal – foram afastados após o Bolshoi apresentar “A Grande Amizade”, de Vano Muradeli, na qual Lênin aparecia pela primeira vez como um personagem.

O Comitê Central do Partido Comunista da URSS acusou os funcionários do teatro de formalismo e distorção de fatos históricos. O libreto descrevia as relações hostis entre russos, georgianos e ossétios na década de 1920.

Source: Press photoPeça crítica gerou onda de demissões durante o regime soviético Foto: Press photo

Fuga da URSS

Trabalhar no Bolshoi sempre foi um sonho para os artistas. Na União Soviética, o teatro garantia salários altos, entre outros privilégios. Um escândalo eclodiu, porém, no verão de 1979. Durante a turnê em Nova York, o bailarino Aleksandr Godunov pediu asilo político aos Estados Unidos.

As autoridades soviéticas tentaram mandar a sua esposa, a também bailarina Liudmila Vlássova, de volta para Moscou, mas os norte-americanos evitaram por três dias que o avião decolasse. Vlássova foi, enfim, convencida a retornar à Rússia, e Godunov gozou de uma curta carreira com a companhia do American Ballet Theater.

Balshoi Ballet star Alexander Godunov gestures during a press conference in New York on August 29, 1979. Source: APGodunov pediu asilo aos EUA durante turnê em NY Foto: AP

O mistério da quadriga

A famosa quadriga (carroça conduzida por quatro cavalos lado a lado) de Apollo enfeita a entrada principal do teatro desde 1825. A primeira foi feita de alabastro e não resistiu ao incêndio. A versão atual, de bronze, é considerada uma das obras do escultor Piotr Klodt, autor das esculturas na ponte Anitchkov, em São Petersburgo. No entanto, não há documentos que confirmem a autoria.

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