Chostakóvitch completaria 110 anos neste domingo

25 de setembro de 2016 Anna Popova
Este domingo (25) marca os 110 anos do nascimento do compositor Dmítri Chostakóvitch. Para homenageá-lo, destacamos sete fatos curiosos sobre sua vida e carreira.
Retrato de Chostakóvitch, em 1958 Foto:Lev Ivanov/RIA Nôvosti

1. Trabalhou como pianista para filmes mudos

Dmítri Chostakóvitch conectou-se com a música ainda na infância. Em 1919, entrou para o Conservatório de Petrogrado. A revolução perdeu força, a Primeira Guerra Mundial terminou, e uma guerra civil se alastrava pelo país. Era um momento ruim para as classes conservadoras, mas Chostakóvitch não pretendia desistir da música e ia a concertos filarmônicos todos os dias. Em 1923, passou em um teste de trabalho e tornou-se um dos pianistas que acompanhavam filmes mudos. Durante 90 minutos de filme, sua função era improvisar. Ele produzia e repetia melodias que gostava, criando músicas específicas para cada personagem.

2. Era para ter seguido o destino de pianista

Seguindo os passos de outro famoso compositor russo, Serguêi Rachmáninoff, Chostakóvitch queria não só escrever música, mas também fazer concertos. Em 1927, participou da primeira Competição Internacional de Piano Chopin. Em Varsóvia, apresentou várias de suas obras, mas recebeu apenas um diploma honorário.

3. Teve seu trabalho de formatura exportado ao redor do planeta

Chostakóvitch formou-se no conservatório aos 19 anos de idade e escreveu a Sinfonia No. 1 como seu trabalho de formatura. A obra foi ouvida pelo chefe da Ópera Municipal de Berlim, o maestro e compositor alemão Bruno Walter, que imediatamente lhe pediu para enviar a composição. Foi assim que, em novembro de 1927, deu-se a primeira apresentação da sinfonia no exterior. Seguindo os passos de Walter, Leopold Stokowski e Arturo Toscanini também regeram Chostakóvitch.

Concerto No.1 para Violoncelo, Allegretto (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo) Fonte: YouTube/Murillo Missaci

4. Sua sinfonia ressoou por Leningrado sitiada

O compositor começou a escrever sua Sétima Sinfonia em setembro de 1941, durante a Segunda Guerra Mundial. Em Leningrado (atual São Petersburgo), compôs três partes da obra, e a finalizou em Kúibichev em dezembro do mesmo ano. Em agosto de 1942, a Sétima Sinfonia foi, enfim, orquestrada pela Filarmônica de Leningrado.

Apesar das condições de vida difíceis, os músicos encontraram forças para ensaiar e, em seguida, executar a sinfonia antes de um julgamento. O local estava lotado, e, embora a cidade fosse continuamente bombardeada, ainda havia luz no edifício. A sinfonia foi ouvida por todos em Leningrado, e também pelo mundo todo: a partitura foi levada à Inglaterra e aos Estados Unidos em microfilme.

Chostakóvitch em momento de lazer nos arredores de Leningrado Foto: Aleksandr Konkov/TASSChostakóvitch em momento de lazer nos arredores de Leningrado Foto: Aleksandr Konkov/TASS

5. Foi autor de óperas e famosas canções soviéticas

Chostakóvitch ficou bastante famoso por criar grandes obras musicais. Escreveu 15 sinfonias, três balés e três óperas. No entanto, os interesses do compositor eram muito mais amplos. Chostakóvitch é o autor de prelúdios e fugas em piano, e da opereta “Moscou-Tcheriomuchki”, bem como de trilhas para filmes, poemas sinfônicos e ciclos de canções baseadas em poemas de Evguêni Ievtuchenko, Aleksandr Blok, Michelangelo, Guillaume Apollinaire e Federico Garcia Lorca.

6. Uma de suas canções virou hino do programa espacial soviético

Um trecho da canção “Pátria-mãe ouve – Pátria-mãe sabe”, com melodia de Chostakóvitch, tornou-se o marcante jingle para estação da rádio Toda-União: na gravação ouviam-se sinais de chamado do primeiro satélite artificial da Terra.

Cantarolada por Iúri Gagárin durante o pouso, essa canção virou, em pouco tempo, a música-tema da indústria espacial soviética.

7. Converteu romance de Gógol em ópera

O romance satírico “O nariz”, de Nikolai Gógol, tornou-se o argumento de uma das composições mais famosas de Chostakóvitch: sua ópera “O nariz”. Entre os autores do libreto, além do próprio compositor, encontrava-se Evguêni Zamiátin.

No entanto, a primeira montagem foi um fracasso e acabou sendo removida do repertório após 16 apresentações. “O nariz” não conquistou fama internacional até os anos 1960, quando começou a ser apresentada em palcos estrangeiros.

O interesse por essa ópera ressurgiu no início dos anos 2000, época em que foi representada no teatro Mariinsky, em São Petersburgo. Peter Stein também à apresentou na Ópera de Roma, e, em 2010, “O nariz” compôs o repertório da Metropolitan Opera, em Nova York, sob o comando de William Kentridge.

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