Centre Pompidou, em Paris, é presenteado com obras russas

30 de agosto de 2016 Oleg Krasnov
Parte da coleção, que se tornará permanente, foi doada por colecionadores e herdeiros de artistas contemporâneos. Iniciativa prova que a cultura é melhor do que instrumentos políticos, diz curadora que deu início ao processo.
Atualmente, Pompidou recebe mais turistas do que a própria Torre Eiffel Foto:Mirko Angeli/Alamy Stock Photo

O Centre Georges Pompidou, um dos maiores espaços de exposição em Paris, vai apresentar uma coleção impressionante de obras de arte contemporânea russa intitulada “Coleção! A arte contemporânea na URSS e Rússia, 1950-2000”.

Após a retrospectiva, que será realizada entre 17 de setembro a 26 de março, as peças serão incorporadas ao acervo permanente do museu.

“Achamos importante promover a arte contemporânea russa e incluí-la no contexto global”, disse à Gazeta Russa a presidente-diretora da Fundação Vladímir Potanin, Oksana Oratcheva.

A fundação, criada pelo excêntrico bilionário russo que dá nome à organização, organizou o projeto de doação para a mostra e adquiriu obras de artistas e seus herdeiros para compor a nova coleção.

Colecionadores particulares, artistas e suas famílias desempenharam um papel significativo na iniciativa. “Todos cederam peças para o projeto. Esses coletores não são apenas da Rússia, mas também franceses”, disse Oratcheva.

“Por meio desse projeto, fomos capazes de incluir artistas que nem sempre são conhecidos no exterior, mas não menos talentosos, no circuito internacional. (...) Também queríamos mostrar uma história panorâmica da arte russa como parte da história da arte mundial”, acrescentou.

Arte além da política

A curadora e diretora do Museu de Arte Multimídia de Moscou, Olga Sviblova, foi uma das principais figuras por trás do projeto e o descreveu como “ideia maluca”.

Segundo ela, a proposta surgiu em conversa com Bernard Blistene, diretor do Museu Nacional de Arte Moderna, no Centro Pompidou, quando ocorreu-lhe que seria bom reunir uma coleção desse desconhecido período da arte russa e doá-la ao centro.

“Esse é um ato sem precedentes na história, provando que a cultura é melhor do que quaisquer instrumentos políticos”, afirma Sviblova.

A história do acervo russo no Pompidou é longa, mas, até então, o espaço carecia de obras criadas após a década de 1930. Hoje, sua coleção de Vassíli Kandínski, doada pela viúva do artista, é motivo de inveja entre os demais museus do mundo.

O mesmo pode ser dito do impressionante conjunto de obras vanguardistas de Natália Gontcharova e Mikhail Larionov, bem como dos irmãos construtivistas Stenberg.

A iniciativa é também simbólica, já que o presente será recebido não só pelo museu, mas pela França como um todo, que, juntamente com a Rússia, celebra este ano o 300º aniversário da Grande Embaixada (expedição diplomática) à França conduzida pelo tsar Piotr, o Grande.

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