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Como os cães detectam explosivos no metrô

Características e técnicas de treinamento são fundamentais para eficácia de operações envolvendo animais.
De Ekaterina Sinelschikova, Gazeta Russa

(Foto: Grigori Sisoev/RIA Nôvosti)(Foto: Grigori Sisoev/RIA Nôvosti)

Após o ataque terrorista no metrô em São Petersburgo, a polícia reforçou as medidas de segurança. Além de dobrar o número de equipes e realizar inspeções mais rigorosas na maioria das plataformas, a atuação de cães farejadores também foi intensificada.

A Gazeta Russa entrevistou dois profissionais que explicam os métodos de treinamento de cães e os testes a que são submetidos e destacam por que as máquinas não são capazes de substitui-los.

(Foto: AP)(Foto: AP)

Evguêni Tsviguelski, professor de disciplinas especiais do departamento de cinologia do Colégio Técnico Estatal nº 38

Há muito tempo se discute se uma máquina seria capaz de descobrir com mais eficácia uma substância explosiva do que um cão farejador. No mundo inteiro, é comum utilizar a combinação de máquinas e detectores vivos ​​[segundo a legislação russa, os cães têm status de recursos especiais de combate ao crime e não são considerados policiais, como em outros países].

A verdade é que ambos são necessários, já vez que as máquinas não podem substituir os cachorros em todos os lugares e circunstâncias.

(Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nôvosti)(Foto: Aleksandr Vilf/RIA Nôvosti)

Primeiramente, é bastante complicado fabricar um aparelho portátil e capaz de detectar todos os tipos de substâncias; em muitos casos, também é necessário que esse dispositivo se aproxime demais do objeto ou da pessoa em questão. Além disso, ao contrário das máquinas, o cão tem um efeito psicológico sobre os terroristas, especialmente os de origem oriental, onde esses animais não gozam de grande apreço. Devido ao estresse, é possível que o terrorista se entregue ou desista ao vir o cão.

(Foto: Dmítri Korobeinikov/RIA Nôvosti)(Foto: Dmítri Korobeinikov/RIA Nôvosti)

O treinamento inicial para um cachorro detectar narcóticos ou explosivos depende da metodologia, mas leva, em média, cerca de 90 dias.

Na Rússia, costuma-se trabalhar com análogos em vez de usar as substâncias reais. Até porque, em muitos serviços, é difícil conseguir a substância verdadeira para conduzir o trabalho. Por outro lado, o treinamento com substâncias similares não é suficientemente confiável, sendo difícil prever o comportamento de um cão quando for confrontado pela primeira vez com a substância real.

(Foto: Pável Golovkin/TASS)(Foto: Pável Golovkin/TASS)

Aqui também são usadas diferentes raças de cães, dependendo dos contatos e da situação econômica do órgão. Cachorros de rua, ou vira-latas, são usados ​​apenas em caso de necessidade – quando é preciso agir de forma secreta, sem chamar a atenção. Por exemplo, para percorrer a sala de um aeroporto como um cão de rua e vasculhar os pertences das pessoas em uma multidão.

(Foto: Dmítri Korobeinikov/RIA Nôvosti)(Foto: Dmítri Korobeinikov/RIA Nôvosti)

Em geral, apenas cães com pedigree são utilizados, já que possuem qualidades específicas. Obter um bom cão de trabalho entre vira-latas é como ganhar na loteria. Quando com um cão tem pedigree, e seus pais já trabalhavam como farejadores, a possibilidade de atuarem melhor é de 60%.

(Foto: Grigori Sisoev/RIA Nôvosti)(Foto: Grigori Sisoev/RIA Nôvosti)

Os animais são submetidos a provas constantes. Há testes que comprovam o desejo do cachorro de brincar, ou seu interesse por alimentos. Afinal, se ele não quiser comer nem jogar, como será possível treiná-lo? Outras provas testam a capacidade de comunicação, a reação a sons agudos, ou o instinto de caça. A busca por um objeto é nada mais que um comportamento de caça reorientado.

(Foto: Nikolai Galkin/TASS)(Foto: Nikolai Galkin/TASS)

Agente do serviço de cinologia do Ministério do Interior (que preferiu não revelar seu nome)

A probabilidade de um cão detectar um explosivo durante uma inspeção é maior que 90%. Cada adestrador leva consigo o cachorro que ele mesmo treinou. Se, durante o trabalho, o instrutor cometer um equívoco e relatar que nenhum dispositivo foi encontrado, ele é considerado culpado e pode enfrentar um processo criminal.

(Foto: Artiom Geodakian/TASS)(Foto: Artiom Geodakian/TASS)

Às vezes, pegamos filhotes de sete ou oito meses de idade. Em geral, costumamos comprá-los de civis. Os órgãos de aplicação da lei acreditam que seja possível obter cães bons ou ruins tanto no exterior como na Rússia. Mas, quando buscamos no exterior – não importa se é na Tchetchênia ou na Holanda –, costumam nos oferecer cães de qualidade inferior. As pessoas têm a ideia de que tudo que vem de fora é melhor, e algumas acabam caindo nisso. Mas, na realidade, há vigaristas em todos os lugares.

Em média, um cão na Rússia custa entre 50 mil e 60 mil rublos (US$ 890 e US$ 1.100), mas, assim como na Europa, há uma grande variedade de preços. Geralmente, no resto do continente, os preços começam em 500 euros e podem chegar a 2.000 euros.

Pastores alemães, labradores e spaniels são as principais raças de cães incorporadas à polícia na Rússia. Às vezes, quando ainda não estão socializados, é de praze levá-los para dar algumas voltas pela Praça Vermelha ou no próprio metrô.

A ideia é que os cachorros não latam caso encontrem alguma coisa. Eles são treinados para usar sinais especiais: seja uma forma especial de se mexer ou sentar. Da mesma forma, muitas pessoas que veem os cães sentados ou deitados no metrô podem pensar que os animais não estão sendo eficazes. Mas isso é normal – o cão precisa descansar. Seu objetivo não é passar horas indo e voltando ao longo da plataforma em busca de algo; sua função é, sim, examinar de forma rápida e adequada qualquer objeto estranho identificado pelo condutor.

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5 de abril de 2017
Tags: cães, segurança, metrô

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