Russos trabalham 44% mais que alemães, revela pesquisa

12 de janeiro de 2017 Ígor Rôzin, Gazeta Russa
Horas trabalhadas mascaram baixa produtividade, alertam pesquisadores da OCDE. Expectativa global, segundo órgão, é que taxa de emprego retorne em 2017 ao nível pré-crise.
Britânicos e americanos também ficaram atrás de russos em horas de trabalho Foto: Kirill Kallinikov/RIA Nôvosti

Os russos trabalharam, em média, 1.978 horas no ano passado, o que representa 44% a mais que a média alemã, 18% superior à dos britânicos e 10,5% à dos americanos.

Os dados foram apresentados em um relatório anual da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), publicado em 2016.

Embora maior que os dos países citados, o índice russo é ligeiramente inferior ao registrado no ano anterior, quando foram medidas 1.985 horas de trabalho. No mesmo período, os alemães aumentaram as horas de trabalho de 1.366 para 1.371.

O México ficou na primeira posição entre os 38 países no estudo, com um recorde de 48 horas por semana de trabalho. Em um ano, isso significa 2.250 horas de trabalho.

Recuperação dos mercados de trabalho

“As condições do mercado de trabalho em países da OCDE apresentam sinais de melhora, e em 2017 a taxa média de emprego deverá voltar ao nível anterior à crise”, lê-se no relatório, intitulado OECD Employment Outlook 2016.

No entanto, segundo a organização, a recuperação será desigual, e “o desemprego permanecerá alto em um número considerável de países europeus da OCDE”.

Diante desse cenário, a expectativa é que cada vez mais mulheres entrem no mercado de trabalho, e os idosos tendam a adiar a aposentadoria.

No caso da Rússia, os resultados exigem uma análise mais detalhada, já que parcela significativa da população trabalha em suas datchas (casa de campo) e terras, destaca o vice-diretor do Centro HSE de Estudos Trabalhistas, Rostislav Kapeliuchnikov.

“Esse tipo de trabalho é manual, rudimentar e produz uma quantidade muito pequena de PIB”, disse Kapeliuchnikov ao site de notícias Gazeta.ru. “Esse é um problema em termos de produtividade do trabalho, que é muito baixa na Rússia”, completou.

Renda real em queda

Após a crise global de 2008, a taxa de crescimento dos rendimentos teve recuperação mais lenta do que a taxa de emprego, segundo a OCDE.

Pela avaliação, a renda real (renda ajustada pelo nível de preços) em diversos países do grupo foi mais de 25% menor do que poderia ter sido se a dinâmica pré-crise tivesse mantido sua trajetória.

Na Rússia, a crise não só provocou a estagnação da renda real, mas também queda por dois anos consecutivos, segundo a Agência Federal de Estatísticas (Rosstat).

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