Projeto emprega psicólogos deficientes para realizarem análises remotas

3 de janeiro de 2017 Oleg Egorov, Gazeta Russa
Psicólogos com deficiências atendem de casa por Skype e pelo site do projeto
Psychologists
Жанровое фото! Psychologists. Служба психологической помощи Foto:PhotoXPress

Acredita-se que psicólogos e terapeutas são pessoas que passaram por grandes provações e aprenderam a lidar com elas. Assim, parece uma ideia excelente a criação de um serviço que lace mão de psicólogos com deficiências. E é a que o projeto russo "Pomogáia Druguim - Pomogáech Sebiê" ("Ajudando Outros, Ajuda-se a Si") se propõe.

Uma das psicólogas do projeto, Irina Sadogurskaia foi guia turística e, trabalhando no Sudeste Asiático há sete anos, teve um ferimento grave na coluna em um acidente. 

"Minhas opções eram ou me render e me enterrar viva, ou recomeçar do zero", diz Irina, que decidiu se tornar psicóloga.

Ajudar o semelhante 

O projeto nasceu em 2012 na Universidade Estatal de Psicologia e Pedagogia de Moscou (MGPPU) e é o único serviço de assistência psicológica totalmente remoto da Rússia empregando pessoas com deficiência.

Irina Sandogurskaia, uma das psicólogas do projeto era guia turística e sofreu um acidente que afetou sua coluna / Arquivo pessoalIrina Sandogurskaia, uma das psicólogas do projeto era guia turística e sofreu um acidente que afetou sua coluna / Arquivo pessoal

Vera Zakharova foi uma das primeiras psicólogas a participar do projeto.

"O projeto foi criado originalmente para que psicólogos com deficiências pudessem aconselhar pessoas que tivessem deficiências semelhantes. Eu sabia, desde o início, que daria certo, porque tenho algo em comum com essas pessoas. Pude superar a mais severa depressão, e senti que podia ajudar pessoas em situações difíceis assim", diz Vera.

Por Skype

Os psicólogos do projeto são procurados não apenas por pessoas com deficiência, mas por outras, com problemas diversos: perdas, problemas de relacionamentos, depressão etc.

O serviço de assistência pesicológica remoto recebe, por mês, cerca de 100 ligações e 50 pedidos de consulta por correspondência. Com 10 psicólogos e poucos recursos para expansão, a demanda é grande.

O princípio do projeto é dar apoio gratuito a todos os que o buscarem, e opera de forma totalmente remota: de casa, os psicólogos se comunicam uns com os outros pela internet para discutir os casos mais difíceis.

O trabalho remoto, de acordo com eles, tem grandes vantagens: falar por Skype ou trocar mensagens com os psicólogos por meio do fórum na internet é a maneira mais fácil de se abrir e falar sobre seus problemas.

Destino difícil 

Do ponto de vista prático, o serviço é um sucesso, e seus usuários publicam inúmeros agradecimentos no site do projeto.

Vera Zakharova, chefe do projeto / Arquivo PessoalVera Zakharova, chefe do projeto / Arquivo Pessoal

Mas do ponto de vista financeiro, está a beira da falência: o seviço não cobra dos usuários, quase não tem patrocinadores e os empregados recebem salários quase nulos.

Hoje, o projeto se apoia apenas em doações feitas por meio do site Takíe Delá (Essas Coisas) e, como relembra Vera, na boa vontade dos psicólogos.

"O trabalho remoto é, para nossos psicólogos com deficiências, a única maneira de eles se realizarem criativamente e de pertencerem à profissão que escolheram", diz.

Problemas de empregabilidade

De acordo com dados da agência de estatísticas estatal da Rússia Rosstat, foram registradas 12,7 milhões de pessoas com deficiências na Rússia em 2016. Apenas 20% dessas trabalha.

O problema não está apenas na falta de condições apropriadas de acesso ao local de trabalho, mas também na falta de vontade da sociedade em integrar profissionais com deficiências graves, diz Vera Zakharova, chefe do projeto de assistência psicológica remota russo "Pomogáia Druguim - Pomogáech Sebiê" ("Ajudando Outros, Ajuda-se a Si").

"Quanto mais técnica for uma especialidade, mais fácil é para encontrar emprego para um cadeirante, que pode trabalhar muito bem de casa como contador ou especialista em computadores", diz Zakharova.

Mas, em geral, diz ela, profissões que requeiram comunicação com as pessoas, como a do psicólogo, são quase inacessíveis aos deficientes na Rússia.

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