Russos que querem aproximação com Ocidente bate maior nível desde 2000

A vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos e a forma como foi coberta pelos veículos de comunicação russos desempenha papel fundamental no declínio do sentimento antiocidental na Rússia, de acordo com uma nova pesquisa. Desejo por aproximação com Washington e Bruxelas cresceu em dois meses.
Mais de 50% dos russos esperam melhora nas relações com EUA sob Trump Foto:AP

O número de russos interessados ​​em melhorar relações com os países ocidentais atingiu o maior nível desde 2000, segundo o jornal “RBK”. Um estudo do instituto independente Centro Levada mostrou que 71% dos entrevistados querem que os laços políticos, culturais e econômicos com os países ocidentais sejam ampliados.

O índice se aproxima à marca histórica do ano 200, quando 76% dos russos apoiavam a aproximação com os Estados Unidos e a União Europeia.

A pesquisa do Levada foi realizada em meados de novembro e envolveu 1.600 russos com mais de 18 anos em diferentes cidades da Rússia.

Queda dos movimentos anti-EUA e anti-UE

O desejo de reconciliação com os países ocidentais se dá paralelamente à queda de atitudes negativas em relação aos EUA e à UE.

Segundo a recente pesquisa, 54% dos russos têm opiniões negativas sobre a União europeia, e 56%, em relação aos EUA. Embora expressivos, os índices são 8% menores em comparação com dois meses atrás.

O levantamento do Centro Levada mostra que o crescimento do ceticismo em torno do desenvolvimento de relações com o Ocidente teve início em novembro de 2014.

Naquela época, menos de 60% dos entrevistados eram a favor de ampliar as relações. O mínimo absoluto foi registrado em julho de 2015, quando 50% eram favoráveis ​​à aproximação e 37% desejavam o afastamento.

Mídia russa muda tom após vitória de Trump

A mudança positiva na percepção dos russos em relação aos EUA e à UE está conectada a maior abertura da Rússia e ao abrandamento da retórica antiocidental na mídia estatal, sugere o analista político Mikhail Komin.

Segundo Komin, a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais americanas e de candidatos europeus como Igor Dodon, na Moldávia, e o triunfo de Filon nas primárias republicanas na França ajudaram a reduzir a retórica antiocidental.

“Os meios de comunicação russos expõem ativamente os pontos de vista pro-Rússia desses políticos, o que obviamente condiciona a percepção dos leigos”, diz o analista.

Além disso, os parlamentares da Duma de Estado (Câmara dos deputados na Rússia) aplaudiram em sessão a vitória de Trump, e o líder do Partido Liberal Democrático, Vladímir Jirinovski, ofereceu um banquete em homenagem ao presidente eleito.

“Hoje eu quero dirigir por Moscou com uma bandeira americana na janela do meu carro. Se eu encontrar a bandeira. Eles merecem isso hoje”, escreveu a editora-chefe do canal de TV de língua inglesa RT, Margarita Simonian, em seu Twitter.

De acordo com a pesquisa do Levada, mais da metade dos russos esperam uma melhora nas relações com os EUA após Trump assumir a presidência.

Cansados de inimigos e dispostos a tolerar

Outro fator responsável pela redução dos sentimentos antiocidentais entre os russos é o fato de as pessoas estarem “cansadas de procurar inimigos”, segundo Komin.

“É difícil viver constantemente em um círculo de inimigos, esperando ser atingido. É por isso que a maioria das pessoas querem melhorar relações com os países ocidentais, querem maior previsibilidade e fim das tensões.”

A ideia da Rússia como um adversário de longo prazo da Rússia permanece, porém, na consciente coletivo, alerta Komin.

“Na cabeça dos russos, uma aliança com o Ocidente é, no melhor dos casos, um ‘sorriso forçado’, daquele tipo que, ao olhar seu inimigo na cara, é melhor sorrir, mas ainda assim ficar atento”, diz o analista.

Gostaria de receber as principais notícias sobre a Rússia no seu e-mail?  
Clique aqui para assinar nossa newsletter.

+
Curta a "Gazeta Russa" no Facebook