Rússia se baseará em cidades europeias para aliviar congestionamentos

Projeto de lei sugere uso de transportes alternativos, como metrô e até teleféricos. Para especialistas, conceitos e modelos de investimento europeus poderão ser reaplicados com eficácia para reduzir engarrafamentos nas grandes cidades russas.
Rodoanel de Moscou Foto:Maksim Blinov/RIA Nôvosti

Em um esforço para combater engarrafamentos nas grandes cidades russas, as autoridades federais pretendem desenvolver formas de transporte público que não dependam de ruas e estradas.

Os planos estão descritos em um projeto de lei apresentado pelo Ministério dos Transporte ao governo e que recebeu aprovação preliminar em 31 de outubro. (o projeto de lei, em russo, pode ser baixado aqui).

Além de diminuir o número de veículos nas vias, o transporte alternativo, que inclui metrôs, monotrilho, teleféricos e funiculares, ajudará a melhorar a qualidade do ar nas cidades, uma vez que dependem sobretudo de energia elétrica para operar.

A pasta dos Transportes planeja também integrar os vários sistemas de transporte em uma única rede por meio da sincronização de horários, da aplicação de bilhete único e da fácil circulação entre as várias estações.

De olho na Europa

Embora a proposta seja bem-sucedida, seu sucesso dependerá do estudo de sistemas semelhantes em outras cidades, avaliam urbanistas russos.

“Os responsáveis pelo desenvolvimento de sistemas de transporte alternativos na Rússia devem aproveitar a experiência das principais cidades europeias, como Londres, Frankfurt e Paris”, diz Irina Irbitskaia, da Academia Presidencial da Economia Nacional e Administração Pública.

Esq: Metrô de Paris; dir: Anel Central de Moscou Foto:Alamy; Agência MoskvaEsq: Metrô de Paris; dir: Anel Central de Moscou Foto:Alamy; Agência Moskva

Segundo a arquiteta, o monotrilho de Tóquio e os trens de levitação magnética do aeroporto de Xangai seriam irrelevantes na Rússia, já que a densidade populacional nas regiões da Ásia é significativamente maior do que nas cidades russas.

A prefeitura de Moscou, por exemplo, estudou a experiência europeia na integração de diferentes sistemas de transporte durante o desenvolvimento do recém-inaugurado Anel Central da capital, um análogo do alemão S-Bahn e do francês RER.

Nos dois primeiros meses de operação, o Anel Central de Moscou já transportou 12,5 milhões de passageiros, e o tráfego no novo sistema continua a crescer, segundo Iúlia Baranovskaia, assessora de imprensa do Departamento de Transportes de Moscou. “Outras cidades russas podem se beneficiar da nossa experiência, pois as emendas necessárias à lei federal foram feitas, e um precedente foi criado”, diz Baranovskaia.

O desenvolvimento do transporte alternativo nas cidades russas irá, porém, enfrentar problemas de financiamento, alerta Mikhail Blinkin, diretor do Instituto de Economia de Transporte e Política de Transporte na Escola Superior de Economia.

Apesar disso, Irbitskaia garante que a questão financeira poderia ser resolvida também com base na experiência europeia, onde a construção de um complexo de transporte envolve o apoio do Estado e de empresas privadas e moradores locais. “Tais programas têm sido utilizados no Reino Unido, Alemanha e França”, afirma.

Metrô versus bonde

O projeto de lei poderá também dar novo fôlego para projetos adiados que estipulavam a construção de linhas de metrô em cidades como Vladivostok, Omsk, Krasnoiarsk, Tcheliabinsk, Rostov-no-Don e Perm.

Três dessas localidades – Rostov-no-Don, Omsk e Krasnoiarsk – figuram no ranking das 10 principais cidades russas com as vias mais movimentadas, de acordo com a análise do serviço Yandex.Probki, que registra os engarrafamentos.

Porém, segundo Blinkin, no caso dessas cidades, os populares sistemas de bonde na Europa seriam mais viáveis do que os metrôs. “Construir esses sistemas de trilho leve é ​​mais barato e fácil do que construir linhas e estações de metrô”, defende.

Esq: Metrô em Kazan; dir: Bonde em Roma Foto: Ígor Aleiev/TASS; AFP/East NewsEsq: Metrô em Kazan; dir: Bonde em Roma Foto: Ígor Aleiev/TASS; AFP/East News

“O metrô é necessário em cidades com mais de 2 milhões de habitantes, e existem só duas dessas cidades na Rússia hoje: Moscou e São Petersburgo”, continua Blinkin.

Para reforçar o seu ponto, o especialista cita o exemplo de Kazan (800 km a leste de Moscou). Apesar de a cidade ter 1,1 milhões de habitantes, o volume de passageiros no metrô local, que foi concluído em 2005, permanece muito baixo.

Transporte nas alturas

Embora os teleféricos não possam competir com os meios de transporte terrestres em termos de capacidade de transporte, esse meio de locomoção já está começando a ser utilizado na Rússia como um substituto para pontes.

Sistemas de teleféricos foram construídos em regiões onde as autoridades não conseguem atrair investimentos para projetos de infraestrutura.

Em 2012, a cidade siberiana de Níjni Novgorod construiu o primeiro sistema de teleférico do país para o tráfego regular de passageiros.

O projeto funcionou como um substituto para uma ponte de alto custo sobre o rio Volga. O trajeto de 800 metros conecta a cidade à vizinha Bor, e o transporte é usado, em média, por 1,8 milhões de passageiros ao ano.

Esq: Teleférico em Níjni Novgorod; dir: China Foto: Lori/Legion-Media; Vostock-PhotoEsq: Teleférico em Níjni Novgorod; dir: China Foto: Lori/Legion-Media; Vostock-Photo

Em setembro passado também foi iniciada  a construção de um teleférico de quase 10 km entre a cidade russa de Blagoveschensk e a chinesa Heihe através do rio Amur, no Extremo Oriente russos.

As autoridades de ambos os países haviam discutido um projeto para construir uma ponte entre as cidades, mas decidiram, em 2015, substituir os planos pelo teleférico. Estima-se que até 6 milhões de pessoas por ano usarão o novo sistema.

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