Oito links entre Trump e a Rússia

Concurso de miss, assessores, vodca e até Cristóvão Colombo entram no jogo.
Chamado de “fantoche de Pútin”, Trump possui histórico relacionado ao país Foto:Getty Images

A vitória do bilionário Donald Trump na corrida presidencial norte-americana surpreendeu o mundo, mas chegou como uma notícia especialmente bem-vinda em Moscou, despertando mais uma vez o interesse em saber se o recém-eleito presidente dos Estados Unidos tem mesmo vínculos com o Kremlin.

Os adversários procuraram ligações entre Trump e a Rússia durante toda a campanha eleitoral, e o candidato republicano chegou a ser chamado de “fantoche de Pútin”.

A retórica pré-eleitoral do magnata norte-americano, cheia de declarações provocativas, também reservou lugar especial para Rússia: Trump disse que poderia levantar as sanções, reconhecer a Crimeia e “se dar bem com a Rússia” caso eleito.

Agora que se tornou presidente, pessoas de todo o mundo continuam se perguntando se essa conexão russa já existia – e, enfim, elencamos a 10 pistas mais escancaradas.

1. Arranha-céus

A imprensa tem conhecimento de, pelo menos, cinco visitas de Trump à Rússia, e todas relacionadas com projetos de desenvolvimento executados pelo empresário e seu conglomerado, a Trump Organization.

A primeira vez que esteve no país foi em 1987, quando discutiu um projeto de hotel de luxo em parceria com o governo soviético e a empresa estatal de turismo Intourist. Mas os negócios na União Soviética não vingaram.

Depois, vieram mais projetos de hotéis e casas de luxo, um centro de negócios, a reconstrução dos hotéis Moskva e Rossiya, venda da licença para a marca Trump na Rússia, a construção do maior parque infantil do mundo Wonderland Park e, enfim, um arranha-céu Trump Tower semelhante ao de Nova York.

Nada disso saiu do papel. Trump Jr. Também fez mais de meia dúzia de viagens à Rússia em um período de dois dois anos na tentativa de emplacar a empresa. Agora, talvez, a Trump Organization consiga finalmente decolar no país.

2. Misses

Construir uma Trump Tower em Moscou era um sonho tão grande para o bilionário que em 2013 ele organizou o concurso de beleza Miss Universo em Moscou. A assinatura de um contrato com a maior incorporação imobiliária da Rússia – Crocus Group, de Aras Agalarov – era então esperado.

Trump também tentou atrair o presidente russo, Vladímir Pútin, para o evento, que contou com mulheres de 86 países. “Vocês acham que Pútin irá ao Miss Universo em novembro em Moscou – se for, ele se tornará meu novo melhor amigo?”, escreveu o republicano em sua conta no Twitter.


Pútin não compareceu, mas quase todas as principais celebridades russas, lideradas pelo cantor Filipp Kirkorov, estavam lá e foram fotografadas com um dos homens mais ricos na América. Agora eles têm uma foto com o novo presidente dos EUA.

3. Assessores

Trump é novato na política, mas foi direto ao topo. Uma equipe que incluiu vários assessores com conexões com a Rússia trabalhou em sua equipe de campanha.

Descobriu-se que seu gerente de campanha, Paul Manafort, havia trabalhado anteriormente como consultor para o ex-presidente ucraniano Víktor Ianukovitch. Depois que essa informação veio à tona, Manafort deixou a campanha de Trump, em agosto de 2016. Segundo o “Financial Times”, na Ucrânia Manafort também trabalhou com intérprete e mantinha conexões com a inteligência militar russa.

Outro consultor de Trump, Carter Page, já colaborou com a gigante de gás russa Gazprom por meio do banco de investimentos Merrill Lynch. Page também foi forçado a deixar a campanha após acusações de conversar em privado com autoridades russas sobre o levantamento das sanções caso Trump vencesse.

Além disso, seu principal conselheiro e organizador das primárias em Nova York foi Michael Caputo, que na década de 1990 viveu na Rússia e trabalhou na campanha presidencial de Boris Iéltsin. Caputo também não trilhou todo o caminho com Trump e renunciou em julho por causa de um tuíte em que insultou um colega.

4. Compras

O filho do empresário, Donald Trump Jr., admitiu certa vez que os russos compõem uma amostra desproporcional em muitos projetos. “Vemos muito dinheiro vindo da Rússia”, disse ele, enquanto o outro filho do magnata, Eric, afirmou em outra ocasião que “os melhores compradores de imóveis são russos”.

Na verdade, muitos desses negócios russos são de conhecimento geral. Talvez, o mais famoso deles tenha sido a venda de uma casa em Palm Beach ao bilionário Dmítri Ribolovlev, que fez fortuna vendendo cloreto de cálcio, por US$ 95 milhões.

5. Gorbatchov

Certa vez, o ex-presidente da URSS Mikhail Gorbatchov pretendia visitar a Trump Tower em Nova York, mas não teve tempo suficiente. Mais tarde, o vencedor de um concurso de sósia de Gorbatchov foi levado à torre – e não é que Trump correu alegremente para receber o “político” no lobby.

6. Cristóvão Colombo

Trump já tentou instalar em Manhattan um monumento a Cristóvão Colombo do tamanho da estátua da Liberdade e o encomendou ao eminente escultor Zurab Tsereteli. Mas o Colombo russo foi rejeitado não só por Nova York, como também por várias outras cidades dos EUA, bem como Espanha e América Latina.

Segundo a imprensa russa, Tsereteli teve que reformular a estátua de Colombo transformando-a em uma homenagem ao tsar Piotr, o Grande, que foi posteriormente rejeitada também por São Petersburgo. No final, o monumento foi colocado em Moscou, não muito longe da Galeria Tretiakov.

Os moradores da capital continuam, porém, descontentes com o monumento de 98 metros que supostamente “marca o 300º aniversário da Marinha russa”: além de não corresponder às proporções arquitetônicas de Moscou, alegam ser “feio”.

7. Comédia

Na década de 1990, Donald Trump ajudou o diretor cult Leonid Gaidai a filmar se último longa – uma comédia chamada “O tempo é bom em Deribasovskaia, chove de novo em Brighton Beach”.

O modesto agradecimento nos créditos tinha atraído pouca atenção até que Trump ser eleito, quando rapidamente se espalhou pelas redes sociais.

8. Vodca

Trump gosta de nomear tudo em sua homenagem. Arranha-céus, perfumes, roupa íntima e até vodca. Em 2005, o empresário lançou sua própria marca da bebida em parceria com a Drinks Americas; dois anos depois, exibiu seu produto na feira Millionaire, em Moscou.

Seu preço era superior ao de outras marcas premium de vodca (US$ 30 por garrafa), mas o magnata acreditava que os russos iriam adorar a vodca de Trump mais do que suas próprias. Meses depois, tentou introduzir o produto no mercado russo e criou até um vídeo comercial para o evento. A marca, porém, não existe nem nos EUA.

Vídeo publicitário da vodca de Trump Fonte: Overit Studios/Vimeo

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