Pútin condena ataque dos Estados Unidos à Síria: ‘Agressão a país soberano’

7 de abril de 2017 Pável Rítsar, Gazeta Russa
Washington lançou 59 mísseis contra base síria em retaliação a ataque químico que deixou, ao menos, 80 mortos na última terça (4). Em resposta, Kremlin revogou memorando sobre prevenção de incidentes e segurança dos voos durante as operações.
Segundo Ministério da Defesa russo, apenas 23 dos 59 mísseis norte-americanos atingiram os alvos Foto:Reuters

O ataque contra bases na Síria é uma agressão e prejudica tanto as relações Estados Unidos-Rússia como a luta comum contra o terrorismo, declarou o porta-voz do Kremlin, Dmítri Peskov, referindo-se à opinião do presidente russo Vladímir Pútin.

“Pútin considera os ataques dos EUA contra a Síria como uma agressão contra um país soberano, violando as normas do direito internacional e sob falso pretexto”, disse Peskov, acrescentando que o Exército sírio não dispõe de estoques de armas químicas.

“O fato de que todos os estoques de armas químicas das forças armadas da Síria haviam sido eliminados foi registrado e confirmado pela Organização para a Proibição de Armas Químicas, uma unidade especializada da ONU”, completou.

Segundo Peskov, Pútin reforçou a ideia do uso de armas químicas por terroristas, ressaltando que tal ocorrência apenas “exacerba a situação de forma significativa”.

“Pútin também vê os ataques na Síria por parte dos EUA como uma tentativa de desviar a atenção da comunidade internacional de inúmeras vítimas civis no Iraque”, disse o porta-voz. “A iniciativa de Washington prejudica as relações russo-americanas, que estão, substancialmente, em um estado deplorável.”

Ainda de acordo com as declarações de Peskov, o presidente russo acredita que a medida não aproxima os países em relação ao objetivo de lutar contra o terrorismo internacional. “Ao contrário, cria sérios obstáculos aos esforços para criar uma coalizão internacional (...) para combater efetivamente essa ameaça”, acrescentou.

O governo americano lançou 59 mísseis de cruzeiro contra uma base militar das forças do governo sírio, na província de Homs, na noite desta quinta-feira (6). Os bombardeios foram conduzidos em retaliação ao uso de armas químicas na província síria de Idlib, que, segundo Washington, teria sido orquestrado pelo governo sírio.

Os mísseis de cruzeiro Tomahawk foram destinados a um único alvo – um aeródromo na província de Homs de onde, segundo os dados de inteligência dos Estados Unidos, o suposto ataque químico foi lançado. O presidente norte-americano Donald Trump confirmou que havia ordenado a realização dos ataques.

O comando das Forças Armadas da Síria confirmou a morte de 6 pessoas no ataque. Também há informação de feridos, embora o número não tenha sido especificado.

“A agressão dos EUA é uma violação de todas as normas internacionais e uma tentativa de enfraquecer a capacidade de combate do Exército sírio na luta contra os grupos terroristas”, lê-se em um documento divulgado pelo Exército sírio.

“Nossa resposta a esse ataque será a determinação de destruir terroristas em solo sírio onde quer que estejam”, acrescentam os militares sírios.

Segundo as autoridades norte-americanas, a Rússia havia sido informada sobre o ataque e nenhum avião ou equipamento militar russo foi destruído durante a operação.

De acordo com o Ministério da Defesa russo, apenas 23 dos 59 mísseis norte-americanos atingiram os alvos.

Suspensão de acordo EUA-Rússia

Após os ataques desta quinta, a Rússia também suspendeu o memorando de entendimento sobre prevenção de incidentes e garantia de segurança dos voos durante operações realizadas no espaço aérea da Síria, assinado em dezembro passado.

“O lado russo suspende o memorando sobre a prevenção de incidentes e a garantia da segurança dos voos no curso das operações na Síria, celebrado com os Estados Unidos”, diz um comunicado da chancelaria russa. “Exortamos o Conselho de Segurança da ONU a se reunir em sessão de urgência para discutir a atual situação.”

Ainda de acordo com o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, o ataque com mísseis de cruzeiro dos EUA havia sido preparado de antemão. “É evidente para qualquer especialista que a decisão de realizar os ataques foi tomada em Washington antes dos eventos em Idlib, que foram usados ​​como um pretexto para uma demonstração de força. Não há dúvidas de que o ataque militar dos EUA é uma tentativa de distrair atenção da situação em Mossul, onde, como resultado das ações da coalizão dos EUA, centenas de civis morreram”, lê-se no comunicado.

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