Tu-95MS realiza primeiro voo na Síria

22 de novembro de 2016 Andrei Korabliov, Gazeta Russa
Bombardeiros russos carregados de mísseis de cruzeiro X-101 combatem Estado Islâmico.
Russian Air Force carries out airstrikes against terrorists in Syria
Um Túpolev Tu-95MS em missão para bombardear o Estado Islâmico e o grupo Jabhat al-Nusra na Síria. Foto:TASS

Na última quinta-feira (17), Moscou decidiu novamente pelo emprego de suas Forças Aeroespaciais na campanha militar na Síria e enviou, a partir do aeródromo Ênguels, 835 km a sudeste de Moscou, bombardeiros Tu-95MS.

As aeronaves atacaram combatentes do Estado Islâmico com mísseis de cruzeiro X-101 nos subúrbios das cidades sírias de Idlib e Homs.

Os ataques aéreos foram realizados com apoio dos caças Su-33 e Su-30SM a bordo do porta-aviões Almirante Kuznetsov, na costa síria. 

De acordo com o Ministério da Defesa russo, as Forças Aeroespaciais atacaram locais de controle, fábricas de produção de armas e armamento do Estado Islâmico.

Fonte: YouTube/Ministério da Defesa da Rússia

"As coordenadas de todos os alvos foram confirmadas por vários canais de reconhecimento. Os resultados dos ataques foram monitorados por veículos aéreos não tripulados (VANTs)", declarou o representante do Ministério, Ígor Konachenkov.

Nova rota de aviação estratégica

Durante todos os voos anteriores, a aviação estratégica russa atravessou o Mar Cáspio, o território do o Irã e o Iraque. Mas, no último voo, os aviões passaram pelo Mar do Norte e pelo Atlântico Oriental, e os mísseis de cruzeiro foram lançados sobre o Mar Mediterrâneo.

Assim, os Tu-95MS voaram um total de 11 mil km, com dois reabastecimentos em voo.

A decisão de dobrar a extensão da rota, porém, não foi eventual, de acordo com o especialista em aviação e chefe do laboratório de sistemas de energia da Universidade de Tecnologia de Informação, Pável Bulat.

"A Forças Aeroespaciais russas estão testando a capacidade da aviação estratégica em espaço aéreo fechado. É essencial saber que os pilotos podem atingir qualquer alvo em qualquer lugar”, diz Bulat.

Mas a Rússia não tem condições de enviar aviação estratégica para a Síria devido aos gastos que isso implica, segundo o presidente do Centro Internacional de Análise Geopolítica, coronel Leonid Ivachov.

"A base aérea Khmeimim, que hoje é utilizada pela aviação militar russa, não é adequada para os  bombardeiros estratégicos. A pista é muito curta, a base não tem a infraestrutura necessária", diz Ivachov.

De acordo com Bulat, o objetivo da última missão foi atacar, simultaneamente, todos os alvos terroristas possíveis.

"É uma tarefa que só pode ser cumprida pela aviação estratégica. Na aviação militar, esse tipo de operação é chamado de 'ataque aéreo maciço'", explica.

Segundo ele, esse tipo de ataque leva a uma desorganização das tropas do inimigo e dá uma enorme vantagem para tropas terrestres.

"Os bombardeamentos destroem as comunicações de transporte levam ao isolamento das regiões de confronto. Os bombardeiros russos destruíram, por exemplo, diversas refinarias de petróleo e petroleiros do EI", explica Bulat.

Fonte: YouTube/Maks Dolgan

Míssil X-101

O Tu-95MS é um dos principais bombardeiros estratégicos russos, e pode levar os novos mísseis de cruzeiro X-101.

"O X-101 é um míssil de cruzeiro subsônico com alcance de até 5 mil quilômetros. Pode ser lançado a partir de uma altura de até 10 mil quilômetros. O peso da ogiva é de cerca de 400 quilos", disse uma fonte no complexo militar-industrial que não quis ser identificada.

Segundo a fonte, a Rússia também possui outra versão desse míssil, com uma ogiva nuclear, que é conhecida como X-102.

 "O análogo mais próximo do X-101 é o míssil americano de longo alcance AGM-129, que também tem sistema de navegação por satélite GPS e de inércia", explicou a fonte.

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