Lavrov descarta desarmamento nuclear russo a curto prazo

28 de março de 2017 Nikolai Litôvkin, Gazeta Russa
Somente redução conjunta com outras potências será possível, diz ministro.
Russia's Foreign Minister Sergei Lavrov (C) visits the Military Academy of the General Staff of the Russian Armed Forces
Para ministro, ainda não chegou a hora para um mundo livre de armas nucleares. Foto:Vadim Grishankin/TASS

"A possibilidade de reduzir os arsenais de armas nucleares está esgotada, e o futuro desarmamento será possível apenas com a participação de todas as potências nucleares", declarou o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguêi Lavrov, durante discurso na Academia de Guerra das Forças Armadas da Rússia.

Segundo ele, é preciso levar em contra não apenas o número de armas estratégicas ofensivas, mas todos os fatores que determinam a estabilidade estratégica, e ainda não chegou a hora para um mundo livre de armas nucleares.

"Serguêi Lavrov confirmou a posição da Rússia, que está pronta a reduzir as armas nucleares, mas apenas em cooperação com todos os outros países. No entanto, todas as potências nucleares, com exceção dos Estados Unidos, recusam-se a reduzir seus arsenais. Assim, o processo de desarmamento será congelado", disse à Gazeta Russa o decano da faculdade de economia e política mundial da Escola Superior de Economia da Rússia, Serguêi Karagânov.

Atualmente, apenas Rússia e Estados Unidos reduzem seus arsenais nucleares estratégicos. Segundo o Acordo de Paris de 2010, Moscou e Washington estabeleceram um limite de até 1.550 ogivas nucleares.

O tratado expira em 2020, mas, até agora, os dois países não começaram a discutir o futuro da redução de armamentos.

“Os Estados Unidos ainda não definiram sua posição em relação ao desarmamento nuclear. Em meados de janeiro, Trump falou sobre o levantamento parcial das sanções contra a Rússia em troca de uma redução dos arsenais. Mas essa declaração não teve continuação prática", relembra Karagânov.

Para o major-general aposentado e colaborador do Instituto da Economia Mundial, Vladímir Dvôrkin, outras potências nucleares não querem discutir a redução das armas.

 “Índia, Paquistão e Coreia do Norte têm armas nucleares táticas cujos números são desconhecidos. É impossível controlar o número dessas ogivas", disse.

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