Lançamento de míssil iraniano reverbera nas relações Estados Unidos-Rússia

3 de fevereiro de 2017 Ígor Rôzin, Gazeta Russa
Governo iraniano realizou, no último dia 29, um teste de lançamento de um míssil de médio alcance. Embora os EUA acusem Teerã de violar uma resolução do Conselho de Segurança das ONU, a Rússia não deverá apoiar seu ‘novo aliado americano’ nesse assunto, sugerem especialistas.
Acordo iraniano não é salvaguarda para relações Washington-Teerã Foto:Reuters

Embora a chegada de Donald Trump à Casa Branca tenha provocado uma melhora nas relações russo-americanas, os países ainda mantêm posições significativamente diferentes acerca de algumas questões. A mais evidente delas envolve o acordo nuclear de Barack Obama entre os EUA e o Irã, severamente criticado por Trump.

A situação se intensificou esta semana após Teerã testou um míssil de médio alcance, que, segundo informou o canal Fox News, percorreu uma distância de 580 km.

Para Washington, o acontecimento recente é prova de que o Irã violou a Resolução 2231 do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe o país de testar mísseis capazes de transportar ogivas nucleares, segundo o jornal ‘Vzgliad’.

Especialistas garante, entretanto, que a Rússia não deverá se unir aos esforços dos Estados Unidos para conter o Irã, apesar do avanço formal nas relações bilaterais.

Influência na Síria

É improvável que a Rússia apoie o duro posicionamento dos EUA e Israel em relação ao Irã, embora tenha aderido às sanções contra Teerã em 2010, escreveu o ‘Vzgliad’.

Embora os países caminhem para uma cooperação mais estreita em questões-chave da política mundial, as críticas de Trump sobre o acordo iraniano preocupam o Kremlin.

“As ações na Síria, onde Moscou coopera ativamente com Teerã, ainda não estão concluídas”, diz o analista político e especialista em Oriente Médio, Tofik Abbatov. Segundo ele, a Rússia não tem interesse em piorar as relações com um dos principais países no Oriente Médio e um dos mais influentes na resolução da crise síria.

Falsa esperança

O Irã nunca teve esperanças de melhoria nas relações com Washington, acredita Abbatov. “Logo após a conclusão do acordo nuclear com os americanos, houve a oportunidade de continuar a discutir os problemas regionais”, diz. Porém, “o Líder Supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que não haverá mais acordos com os Estados Unidos e que o acordo nuclear é uma concessão máxima”, completa.

Além disso, segundo o observador, sentimentos anti-iranianos são prevalentes em todos os grupos dentro do sistema político norte-americano.

“A liderança política do Irã ficou muito perturbada pela infeliz experiência do [ex-ditador líbio Muammar Gaddafi] e, por isso, não pretende normalizar as relações com os EUA, e realmente não se preocupa com a reação da Rússia. O Irã está disposto e é capaz de agir sozinho, sem depender de ninguém”, afirma Abbatov.

Não houve, porém, nenhuma declaração de rescisão do acordo EUA-Irã por parte da administração Trump.

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