Por telefone, Pútin e Trump focam aliança antiterrorismo

30 de janeiro de 2017 Ígor Rôzin, Gazeta Russa
Presidentes discutiram, durante 45 minutos no sábado (28), uma variedade de questões prementes, desde terrorismo e desenvolvimentos no Oriente Médio a estabilidade estratégica e relações econômicas entre Rússia e Estados Unidos.
Conversa entre Trump e Pútin enviou “sinal positivo a investidores”, segundo economista Foto:Reuters

Moscou e Washington se pronunciaram de forma positiva em relação à primeira conversa oficial entre os presidentes russo Vladímir Pútin e americano Donald Trump, que tomou posse no último dia 20 de janeiro.

Na conversa telefônica, realizada no sábado (28), os líderes discutiram uma ampla gama de questões internacionais em uma atmosfera “positiva e de negócios” e concordaram em manter contato, declarou a assessoria de imprensa do Kremlin.

“A ligação positiva foi um começo significativo para melhorar a relação entre os Estados Unidos e a Rússia que precisa ser restaurada”, disse a Casa Branca em um comunicado sobre os resultados da conversa.

União contra o terror

Os dois líderes discutiram em detalhes “problemas internacionais urgentes”, incluindo os desenvolvimentos no Oriente Médio, o conflito árabe-israelense, a estabilidade estratégica e a não proliferação, a situação em torno do programa nuclear iraniano e da península coreana, segundo informações do Kremlin.

“Os principais aspectos da crise ucraniana também foram abordados, e foi decidido estabelecer cooperação nessa e em outras áreas”, diz ao comunicado do governo. Ainda durante o contato, Pútin e Trump deram ênfase especial à luta contra o terrorismo. “Os presidentes falaram em favor da criação de uma verdadeira coordenação das ações russa e americana com o objetivo de derrotar o Estado Islâmico e outros grupos terroristas na Síria”, continua a nota do Kremlin.

Segundo Aleksêi Puchkov, membro da comissão de defesa e segurança do Conselho da Federação (Senado russo), a coordenação nos esforços antiterrorismo “representa uma mudança qualitativa” nas relações bilaterais. O primeiro vice-presidente da comissão, Frants Klintsevitch, acrescentou ainda que o Estado Islâmico está “literalmente com os dias contatos se Moscou e Washington unirem forças”.

A intenção declarada de coordenar o combate ao terrorismo foi o resultado mais importante da conversa, destacou ainda Leonid Slútski, chefe da comissão de assuntos internacionais da Duma do Estado (Câmara dos deputados na Rússia).

“O principal resultado da primeira conversa entre Vladímir Pútin e Donald Trump foi um acordo para coordenar esforços para derrotar o EI. É isso que todas as pessoas esclarecidas no mundo esperam das relações russo-EUA”, disse Slútski.

O também deputado Nikolai Kovalev, que antes chefiava o Serviço Federal de Segurança (FSB), elencou “a coordenação de esforços na Síria, a união de forças, a troca de informações” e a interrupção do fornecimento de armas dos EUA à oposição síria como as primeiras medidas práticas dos EUA na parceria.

“Washington se recusava antes a cooperar com Moscou acerca dessa questão, mas essa situação pode mudar drasticamente agora”, acrescentou Kovalev.

Despertar econômico

Pútin e Trump também abordaram a necessidade de restaurar os laços comerciais e econômicos, que poderiam “estimular ainda mais o desenvolvimento contínuo e sustentável das relações bilaterais”, segundo a nota do Kremlin.

Para Kirill Dmitriev, presidente do Fundo de Investimento Direto Russo (na sigla em inglês, RDIF), os resultados do primeiro contato oficial entre os presidentes da Rússia e dos EUA enviou um sinal positivo aos investidores. “Dar ênfase à retomada da cooperação econômica e comercial é muito importante”, diz.

O RDIF desenhou dez projetos de investimento prioritários entre os países e os apresentará a representantes dos EUA em breve, segundo Dmitriev.

Enquanto isso, o chefe da comissão de ciência e educação da Duma, Viatcheslav Nikonov ressaltou que a declarada prontidão para restaurar os laços comerciais e econômicos “pode ​​contemplar o cancelamento parcial das sanções”.

“É claro que a palavra ‘sanções’ foi deixada de fora, mas o restabelecimento dos laços comerciais e econômicos pressupõe que essa questão também seja abordada”, disse.

Primeiro passo dado

Em geral, os políticos russos se mostraram otimistas com sobre os resultados da primeira conversa entre Pútin e Trump após a transição do poder nos Estados Unidos.

“É óbvio que uma conversa telefônica entre os dois presidentes não é suficiente para resolver todos os problemas nas relações russo-norte-americanas, que se acumulavam há anos, mas o primeiro passo foi, sem dúvidas, dado”, afirmou Klintsevitch, acrescentando que Trump “parece levar a sério a cooperação com a Rússia”.

No entanto, o senador alertou contra conclusões precipitadas antes que o Washington tome as primeiras medidas práticas.

“A conversa telefônica aparentemente trouxe sensatez e razão ao diálogo russo-americano. Esperamos que, por trás da lacônica menção dos assuntos discutidos, haja determinação – determinação bilateral, não apenas de nossa parte – para introduzir um novo formato de relações, de parceria em vez de rivalidade”, diz Konstantin Kosatchev, que chefia a comissão de assuntos internacionais do Senado.

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