A escalada da economia rumo a 2017

Embora país passe por período de recessão, indicadores econômicos mostram que o pior já passou. Principal novidade virá mais da esfera política do que da econômica.
Foto:Dmítri Divin

Dois eventos políticos importantes marcarão a economia russa na segunda metade do ano: as eleições parlamentares na Rússia em setembro, e as presidenciais dos EUA em novembro. O primeiro influi na configuração de poder em Moscou, pelo menos até as eleições presidenciais de 2018; já o segundo, determinará todo o espectro das relações econômicas e políticas com Washington.

Antes de 2016 terminar serão revelados também os primeiros detalhes dos programas econômicos para os próximos cinco a dez anos, elaborados por adeptos de diferentes tendências econômicas no país, como o ex-ministro das Finanças, Aleksêi Kúdrin, o conselheiro do presidente, Serguêi Glaziev, e o empresário Boris Titov, também fundador de uma nova sigla de oposição, o Partido do Crescimento.

No entanto, independentemente dos planos econômicos, vários fatores cruciais irão exercer influência considerável sobre a economia do país. A primeira questão é se o preço do petróleo aumentará e se o orçamento conseguirá manter um deficit de 3% sem recorrer ao Fundo de Reserva.

Além disso, fica a dúvida se o Banco Central continuará baixando as taxas de juro, atualmente em 10,5%. E o Federal Reserve (Fed, banco central americano) se atreverá a elevar os juros na véspera da eleição presidencial? Também não se sabe se a ação sobre a dívida dos países com grandes riscos, incluindo a Rússia, será perpetuada.

Sejam quais forem as respostas para essas dúvidas, não há motivo para esperar uma recessão mais profunda da economia russa, assim como não se deve esperar um rápido retorno ao caminho do crescimento.

Todos os indicadores sugerem que, nos próximos dois anos, o crescimento econômico será próximo de zero, pelo menos se as abordagens atuais sobre a política orçamentária e monetária forem mantidas.

Como ponto positivo convém destacar o declínio acentuado da fuga de capitais e, com isso, a redução da dependência da taxa de câmbio do rublo em relação ao preço do petróleo. Há duas razões para essa mudança. Durante 2014 e 2015, bancos e empresas russas conseguiram reestruturar sua dívida, reduzindo-a em mais de US$ 150 bilhões.

Somado a isso, a grande diferença entre as taxas de juros na Rússia e nos principais países desenvolvidos vem criando condições favoráveis ​​para a entrada de capital especulativo na dívida estatal e corporativa russa. Essa tendência positiva chegou a influenciar tanto a taxa de câmbio do rublo que as autoridades começaram a falar sobre os males do fortalecimento excessivo da moeda.

A situação causada pelas sanções e pela desvalorização do rublo criaram ainda condições favoráveis ​​para a substituição de bens importados por produtos nacionais, mas essa mudança, por enquanto, só é significativa nos setores agrícola e alimentar. Boas condições climáticas resultaram em uma safra de trigo recorde em 2016. Mas, embora seja uma grande conquista, é necessária uma política de exportação adequada para evitar a queda de preços do trigo no mercado interno.

A renda da população, o comércio, os preços no setor imobiliário e os investimentos privados mostram tendências variadas. Em geral, indicam que a população está mais inclinada a poupar do que gastar e que as empresas estão adiando os seus projetos de investimento até que o cenário melhore.

A previsão da economia russa para o restante de 2016 é, embora cautelosamente, otimista: o declínio parece passado, mas também não haverá crescimento positivo. A situação do orçamento estatal vai melhorar graças ao aumento dos preços do petróleo, esperado para ultrapassar o valor de US$ 40 por barril.

Também não se deve esperar grandes choques externos, como novas sanções, forte fuga de capitais ou súbita mudança na taxa de câmbio do rublo. A principal novidade virá provavelmente mais da esfera política do que da econômica.

Konstantin Korischenko é ex-vice-presidente do Banco Central da Rússia e atual diretor do departamento de mercado de valores e engenharia financeira na Escola de Finanças e Banking da Academia Presidencial da Economia Nacional e da Administração Pública da Rússia.

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