Banco Central quer impulsionar investimentos em start-ups

30 de agosto de 2016 Aleksêi Lossan, Gazeta Russa
Instituição russa propõe que capital de fundos de pensões seja aplicado em novas empresas.
Nova regra para fundos de pensão devem entrar em vigor a partir de 2018 Foto:Vitáli Beloussov/RIA Nôvosti

O Banco Central da Rússia propôs que fundos de pensão não estatais invistam capital de seus clientes em projetos de risco. As aplicações, assim, seriam provenientes de sociedades anônimas com direito de participar de negociações em mercados de inovação e investimentos.

As regras para tanto deverão entrar em vigor a partir de julho de 2018. Segundo o BC russo, o dinheiro será investido, sobretudo, em empresas novas em rápido crescimento.

Economistas afirmam que a proposta do regulador russo vai contra a prática econômica internacional.

"Na prática internacional, os fundos de pensão são investidores em longo prazo e mais conservadores. O capital de pensões pode ser investido apenas em instrumentos mais confiáveis", diz o chefe de operações de mercado da consultoria de investimentos Freedom Finance, Gueôrgui Váschenko.

O analista da Finam, Timur Nigmatúllin, diz que a proposta do BC não representa grande perigo.

“Propõe-se investir o dinheiro não no mercado de empreendimentos, mas no de alta tecnologia, cujas ações são negociadas publicamente. Não vejo muitos riscos associados a esse tipo de investimento", diz.

Aumentar a rentabilidade

Segundo o BC russo, a iniciativa pode aumentar significativamente a rentabilidade dos fundos de pensão.

Além disso, o regulador promete estabelecer requisitos estritos para as empresas que poderão receber o capital de aposentadoria.

Assim, sua capitalização deve ser de pelo menos 6 bilhões de rublos (US$ 92,5 milhões), seus demonstrativos financeiros deverão seguir padrões internacionais e as empresas deverão ter pelo menos dois diretores independentes. A proporção de suas ações em livre circulação também deverá ser superior a 10% do capital.

De acordo com o jornal RBC-Daily, na Rússia há, hoje, 26 empresas de risco que atendem a esses requisitos.

De acordo com os dados das bolsas russas, desde o início de 2016, a negociação de suas ações alcançou os 45,5 bilhões de rublos (US$ 702 milhões), enquanto sua capitalização total é de 264,7 bilhões de rublos (US$ 4 bilhões). 

"A possibilidade de investir no setor de inovação obviamente expandirá a gama de produtos oferecidos por fundos de pensões. Mas, ao mesmo tempo, essa inovação dificulta o processo de regulação da atividade financeira", diz a analista com da consultoria financeira TeleTrade, Anastassia Ignatenko.

Segundo ela, o setor de inovação não é popular entre os investidores atualmente, mas considerado de alto risco - embora potencialmente lucrativo.

Principais consequências

Os economistas afirmam que a principal consequência positiva da iniciativa do Banco Central é a redução do volume de capital nos fundos de pensão.

“A redução dos investimentos em depósitos bancários de 40% para 25% estimulará o desenvolvimento do mercado financeiro doméstico", diz o analista Timur Nigmatúllin.

Segundo ele, os clientes dos fundos de pensão também serão beneficiados com a iniciativa, já que, devido à diminuição das taxas de inflação, as taxas de juros dos depósitos também cairão.

“Isso levará ao aumento dos preços dos ativos nos mercados de ações. Assim, em 2018, a iniciativa do regulador passará a impulsionar a Bolsa de Moscou em longo prazo”, diz Nigmatúllin.

Muito vai depender da porcentagem de ativos que poderão ser investidos em instrumentos de risco, diz Serguêi Khestanov, especialista em macroeconomia da consultoria financeira Otkrítie Broker.

“Se esse índice for inferior a 10%, terá sido uma ótima decisão, que não aumentará significativamente os riscos, mas elevará os rendimentos potenciais. Mas, se a porcentagem ultrapassar os 10%, os riscos de perda serão muito altos”, completa Khestanov.

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