Por que os EUA ainda utilizam tecnologia militar soviética

Um avião de combate da Força Aérea dos EUA (USAF) foi visto praticando combate aéreo contra um Sukhôi Su-27 russo sobre o território de Nevada. Embora o fato não tenha sido confirmado, existem, na verdade, diversos modelos Su-27 nos EUA, bem como outros exemplares do aparato militar soviético obtidos não oficialmente.
EUA compraram diversos modelos Su-27 da Bielorrússia e da Ucrânia nas décadas de 90 e 2000 Foto:Vadim Savitski/Global Look Press

Um Su-27P esteve envolvido em um exercício de treinamento de combate aéreo com um F-16, da Força Aérea norte-americana, sobre os céus de Nevada, no oeste dos EUA, informou o britânico “The Daily Mail”, citando uma testemunha local.

O fotógrafo amador tirou fotos do acontecimento, em 8 de novembro de 2016, e insiste que o adversário do F-16 era um caça de assento único de produção russa. Segundo o jornal, poderia se tratar de um dos vários Su-27 comprados na ex-URSS.

Cão de briga

A dogfight, como é conhecida modalidade de combate aéreo em que a aproximação é efetiva (de poucas dezenas ou centenas de metros), ocorreu a 6.000 metros de altura.

“É universalmente aceito agora que, com as novas armas de precisão, não há mais qualquer necessidade de se envolver em dogfights, porque o adversário pode ser seguramente atingido à distância”, disse à Gazeta Russa o analista militar do jornal “Izvêstia”, Dmítri Safonov. “Mas o combate aéreo permite aos pilotos aperfeiçoar suas habilidades, e testar as capacidades de seus aviões e os dos inimigos simulados.”

Segundo Safonov, os EUA compraram equipamentos militares russos de ex-regiões soviéticas. Em 1997, por exemplo, Washington adquiriu 21 caças MiG-29 da Moldova para impedir que as máquinas caíssem nas mãos de iranianos.

Modelos Su-27 também foram comprados da Bielorrússia e da Ucrânia entre meados das décadas de 1990 e 2000 para atuarem como “agressores” durante os treinamentos de pilotos da USAF.

 

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“Todos esses aviões foram adquiridos extraoficialmente para serem posteriormente estudados por especialistas americanos”, explicou Safonov. “A razão para isso foi o crescente número de Su-27s em operação em todo o mundo. As forças armadas de um país precisam saber pontos fracos e fortes de um inimigo em potencial”, completou.

Além da Rússia, outros países como Índia, Malásia, Venezuela, Argélia contam oficialmente com caças Su-27s em seus arsenais.

Camuflagem ou paranoia?

O USAF virou manchete no segundo semestre de 2016, quando o jornalista canadense Christian Borys publicou no Twitter fotografias de caças F/A-18 em um padrão de camuflagem normalmente aplicado aos bombardeiros Su-34 da Força Aérea Russa.

“A diferença entre os dois tipos é que o F/A-18 tem uma asa dobradiça e dois estabilizadores gêmeos verticais – os estabilizadores do Su-34 são paralelos”, explica Vadim Koziulin, professor da Academia de Ciências Militares de Moscou.

“Se filmado do chão com equipamento amador, é impossível distinguir os dois modelos; isso pode ter sido o caso em Nevada também”, acrescentou.

Além disso, repintar aeronaves é, segundo Koziulin, uma prática normal na USAF para fins de treinamento com simulação.

O editor-chefe da revista da “Defesa Nacional”, Ígor Korotchenko, descarta, porém, qualquer “teoria da conspiração”. “Em condições de combate real, a camuflagem visual é inútil contra os radares tanto russos como estrangeiros, pois eles identificam o tipo de aeronave por sua assinatura”, garante o observador.

Tanques à venda

No passado, apenas armas pequenas russas e soviéticas eram vendidas pelos traficantes nos EUA. Hoje em dia, porém, são comercializados até tanques soviéticos.

De acordo com a publicação “National Interest”, um tanque T-72 russo desarmado que, embora totalmente equipado, não pode ser usado para combate, foi comprado no país pelo equivalente a US$ 50.000. O cliente, no entanto, só receberá o veículo militar após obter as autorizações necessárias das autoridades dos EUA.

A maior parte desse material bélico da URSS é proveniente da Europa Oriental, que herdou um grande estoque de blindados e outros sistemas da época da Guerra Fria.

Empresas privadas, como a Redfish e a Century Arms, compram tanques encostados por preços baixos, transportam os veículos para os EUA, extraem os canhões e customizam os blindados conforme as exigências do cliente. Esse processo inteiro leva cerca de dois meses.

Além de tanques e armas de pequeno calibre, essas companhias oferecem ainda outros tipos de blindados soviéticos para transporte de pessoal e terrenos acidentados.

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