O combate aos erros na fabricação de foguetes espaciais

26 de janeiro de 2017 Oleg Egorov, Gazeta Russa
Defeitos de fabricação são identificados em motores de foguetes espaciais russos e empresas fazem amplo recall de produtos. Os testes complementares serão feitos em seis meses; ação deve atrasar pelo menos 8 dos 27 lançamentos programados para acontecer em 2017.
Foguete-portador Proton-M no cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão Foto:Serguêi Kazak/RIA Nôvosti

Pela segunda vez neste mês, casos de problemas na fabricação dos motores dos foguetes espaciais foram divulgados na Rússia. O grupo estatal Roscosmos anunciou que ia recolher todos os motores suspeitos de terem defeito para realizar um controle suplementar —e isso poderá retardar em seis meses uma parte dos lançamentos espaciais no país.

O último teste feito nos motores dos foguetes Proton-M (utilizados majoritariamente para transporte de carga até a estação espacial internacional) localizou um defeito, anunciado pelo comerciante ontem (25). Parece que foram usados materiais não adaptados para sua fabricação —não foram encontrados metais preciosos nem material suficientemente resistente ao calor. O grupo Roscosmos, responsável por sua produção, acabou fazendo um recall e reenviando os motores para novos testes.

Ivan Moisseiev, diretor do Instituto de Política Espacial, estima que a ação da empresa foi justificada. “O motor de um foguete funciona a temperaturas que derretem a maioria dos metais, e devem utilizar um sistema de resfriamento bastante complexo”, diz. “Se, como neste caso, os defeitos não são casos isolados, mas compõem uma escolha errada de materiais usados, o caso põe em risco todos os foguetes.”

Outros motores

Não é a primeira vez em que os motores dos foguetes russos apresentam defeitos. Em 1o de dezembro no ano passado, a Rússia perdeu o caminhão espacial Progress MS-04 por causa de problemas com o motor. O motor do foguete Soiuz-U, que se desintegra completamente a 192km de altitude, é fabricado pela mesma empresa que faz os Proton, a usina mecânica de Voronej (UMV).

Uma enquete especializada chegou à conclusão que foi a UMV a responsável pela queda do Progress, seu diretor geral pediu demissão na ocasião do anúncio das conclusões e os motores que compunham os Soiuz-Z foram recolhidos para testes suplementares. “Neste caso, criamos uma comissão para identificar e eliminar as causas do problema, e enquanto elas não desaparecem, nenhum foguete será lançado”, explica Ivan Moisseiev.

Lançamentos retardados

Ontem [no último dia 25], representantes da Roscosmos declararam estar realizando uma “verificação total da qualidade de seus produtos”, principalmente de “parâmetros que não eram checados há décadas”. E o procedimento inclui os motores fabricados pela UMV. Ivan Moisseiev afirma que o tempo estimado para o controle dos motores do Proton é de seis meses, e, enquanto isso, nenhum foguete será lançado.

“Um motor é testado tanto pelas razões de suas falhas, mas também todos os outros pontos fracos são verificados”, nos diz o especialista. “E isso não se faz rapidamente.” 

Assim, o próximo lançamento dos Proton não poderá ser feito antes do próximo verão —os foguetes deste tipo deverão compor de 8 dos 27 lançamentos previstos para acontecer em 2017.

A duração dos testes

Ivan Moisseiev sublinha que cada lançamento está estreitamente ligado ao tipo de míssel e à sua carga, ou seja, não é possível substituir os Proton por outros foguetes. Em entrevista à imprensa o representante oficial da Roscosmos, Ígor Burenkov, reconheceu que o grupo sofre perdas financeiras por causa do cancelamento dos lançamentos (comerciais), mas que sua prioridade era de “compreender as causas (das falhas) ainda em terra”. O calendário dos lançamentos deve ser atualizado daqui a algumas semanas.

O controle dos motores usados nos Proton, na UMV, será feito pela associação de pesquisa e produção Energomash. Seu diretor geral, Ígor Arbuzov, informou que a organização tem, entre seus membros, o criador dos motores do Proton, KB Khimautomatiki, e que por isso, a associação conhece profundamente as características técnicas dos motores e pode garantir a eficiência dos testes complementares.

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