Laboratório russo cria mecanismo que bloqueia envelhecimento

7 de dezembro de 2016 Victória Zaviálova, Gazeta Russa
Novas drogas apostam em técnica que evita oxidação de células. Medicamento já testado em animais permitiria maior qualidade de vida, porém não imortalidade.
Objetivo de novos experimentos não é viver mais, mas viver melhor Foto:Serguêi Konkov/TASS

Quando o biofísico russo Aleksêi Karnaukhov anunciou, em outubro passado, que teria 100 ml de sua medula óssea extraída e depois transplantada para seu próprio corpo, na esperança de viver até os 150 anos, sua experiência não virou manchete.

Fato é que outros cientistas russos também já testaram seus procedimentos pioneiros em si mesmos, entre eles o criobiólogo Anatóli Bruchkov, que se injetou um composto contendo uma amostra de uma antiga cepa de bactérias que sobreviveram no permafrost por milhões de anos, e Vladímir Skulatchev, que aplicou um colírio com agente antienvelhecimento desenvolvido em seu laboratório.

No segundo caso, Skulatchev afirmou posteriormente que a droga experimental havia curado seu problema de catarata. “Eu estava quase cego, então decidi ser cobaia. Na época, já tínhamos tratado com sucesso cataratas em 500 ratos idosos”, diz.

Diversos oftalmologistas demonstraram interesse pelos resultados da experiência, e o laboratório de Skulatchev está atualmente trabalhando em um medicamento acessível que possa curar a maioria das doenças associadas com envelhecimento.

Fonte da juventude

Skulatchev está estudando o processo de oxidação de mitocôndrias que, segundo sua teoria, impede que as células permaneçam saudáveis.

“Se desbloquearmos o mecanismo desse processo, as pessoas serão capazes de permanecer saudáveis até a velhice”, explica o cientista.

“Isso não quer dizer imortalidade, mas a ideia é livrar a humanidade do humilhante estado de senilidade no fim da vida. Há exemplos disso na natureza, por exemplo, algumas espécies de crocodilos, tartarugas e baleia não envelhecem”, acrescenta.

Juntamente com seus filhos, o biólogo Maksim e o matemático Innokenti, Skulatchev desenvolveu um novo produto químico, apelidado SkQ, que fornece antioxidantes naturais e poderia retardar o envelhecimento.

O medicamento, que já foi testado em animais, está sendo aprimorado para aplicação em seres humanos no laboratório Mitotech, fundado por Maksim Skulatchev, e recebe apoio de bilionários russos e da estatal de nanotecnologia Rosnano.

Em sua busca para desenvolver uma “pílula de imortalidade”, o laboratório produziu um soro rejuvenescedor vendido sob a marca Mitovan. A Mitotech também está preparando o lançamento de uma nova medicação para os olhos, o Visotimin Forte.

“Aumentamos a dose do colírio para ampliar a eficiência da droga”, disse. “Assim, conseguiremos preservar a visão de uma pessoa na velhice.”

Apoio estatal

O governo russo também está interessado em tecnologias antienvelhecimento. Pensando nisso, o Instituto de Física e Tecnologia de Moscou (MIPT) criou, no início de 2015, o Centro de Pesquisas sobre Mecanismos de Envelhecimento Molecular.

O professor e biofísico russo Valentin Gordeli, que já trabalhou no Instituto de Biologia Estrutural de Grenoble, na França, assumiu o comando do novo centro. Além disso, o diretor do Bridge Institute (da Universidade do Sul da Califórnia), Raymond C. Stevens, que é famoso por comercializar descobertas científicas e lançar novas drogas no mercado, tornou-se o presidente do comitê de supervisão do Centro.

O complexo possui seis laboratórios e já recebeu US$ 10 milhões em financiamento estatal desde 2009.

“Um de nossos objetivos é definir a estrutura das proteínas responsáveis ​​pelo envelhecimento”, diz Vladímir Chupin, chefe do departamento de biofísica do MIPT. “Nossa pesquisa nos permitirá criar drogas através de engenharia assistida por computador, bem como métodos de química e biologia”, completa.

Skulatchev curou sua catarata graças a descoberta própria Foto: PhotoXPressSkulatchev curou sua catarata graças a descoberta própria Foto: PhotoXPress

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