Brics lançam rede de imprensa para fomentar troca de notícias

10 de novembro de 2016 Nilova Roy Chaudhury, Gazeta Russa
Rede irá facilitar acesso e compartilhamento de informações entre os países do grupo. Na Índia, representantes dos cinco países também destacaram avanços comerciais obtidos durante a última cúpula do grupo, em meados de outubro.
Iniciativa tenta evitar intermediários ocidentais na troca de informações Foto:twitter.com/PCI

A mais recente iniciativa do Brics para intensificar contatos entre pessoas dos cinco países e ampliar a conscientização sobre os outros parceiros é a Rede de Clubes de Imprensa do grupo. O principal objetivo é facilitar o acesso a informações sobre todos os membros e criar um acordo de compartilhamento de notícias em tempo real.

A nova rede foi lançada por embaixadores e altos funcionários dos países do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), em 3 de novembro.

A ideia é que “os governos facilitem a circulação de profissionais de imprensa entre os países” e estimulem a “divulgação objetiva e apurada de notícias e informações”, disse Amar Sinha, secretário de Relações Econômicas do Ministério das Relações Exteriores indiano.

Enquanto o embaixador brasileiro na Índia, Tovar de Nunes, garantiu que o Brasil irá trabalhar para estreitar as relações entre os profissionais da mídia e agilizar a obtenção de vistos por jornalistas, o Alto Comissário da África do Sul para a Índia, Francis Morule, afirmou que seu país participará ativamente da Rede de Clubes de Imprensa.

Ainda durante o lançamento da iniciativa, que recebeu forte apoio da União Nacional de Jornalistas da Rússia, o conselheiro sênior na embaixada russa na Índia, Serguêi Karmalito, relembrou um esforço semelhante feito nos anos 1980 entre os governos da URSS e da Índia.

“Na cúpula de Goa, sentimos a necessidade de estabelecer relações mais estreitas entre os nossos jornalistas”, disse Karmalito. “A organização de uma rede de clubes de imprensa do Brics nos permitirá melhorar a troca de notícias e de pontos de vista.” O conselheiro russo ressaltou também que, de um modo geral, os países obtêm informações sobretudo por reportagens de agências ocidentais. “Essa iniciativa nos dará perspectivas imparciais e multifacetadas sobre os membros do Brics”, completa.

Uma rede similar de advogados vem sendo debatida para facilitar questões jurídicas e arbitrárias entre as cinco nações do grupo. Espera-se também harmonizar a legislação entre os membros do Brics com o intuito de impulsionar os laços comerciais.

Encontro entre diplomatas ocorreu no início do mês em Nova Déli Foto: twitter.com/PCIEncontro entre diplomatas ocorreu no início do mês em Nova Déli Foto: twitter.com/PCI

Balanço da Cúpula de Goa

Durante o encontro, os representantes dos Brics também revisaram o resultado da 8ª cúpula de líderes do grupo, realizada em meados de outubro em Goa, na Índia.

Ao refutar as críticas de que a cúpula de Goa teria sido uma reunião “unifocal”, concentrando-se apenas no combate ao terrorismo, Sinha afirmou que a agenda da reunião foi “ampla” e “voltada para o futuro”.

O diplomata indiano acrescentou que grande parte da discussão entre os líderes do grupo tratou do fortalecimento dos laços econômicos entre os países, e destacou a assinatura do Memorando de Entendimento (MoU) sobre Cooperação Aduaneira, que levará a um acordo de facilitação do comércio entre os países.

“Nós vemos os Brics como uma nova perspectiva para os desafios globais, entre os quais a luta contra o terrorismo”, disse Sinha. “Fomos bem-sucedidos ao focar o terrorismo, o que é importante para a Índia, porque dificulta nosso desenvolvimento. Os líderes também se concentraram na democratização da arquitetura global, em reformas na tributação global e em questões de combate à corrupção”, continuou.

“Ao contrário das previsões fatalistas, nós estamos indo muito bem como um grupo, tanto é que o site do Brics foi invadido”, disse Sinha.

Paralelamente, Nunes ressaltou que durante a cúpula foram tomadas “medidas concretas” para a consolidação do grupo. “Fazemos tudo em nível político, para fomentar o desenvolvimento sustentável”, afirmou o embaixador do Brasil na Índia.

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