Um bairro russo em São Paulo

25 de outubro de 2012 Alex Solnik, Especial para Gazeta Russa
Vila Zelina celebrou, no último domingo, 85 anos de amor à Rússia e quer virar bairro temático do Leste Europeu.

“Pojaluista”, “spassiba”, “kak pojevaiete?” Palavras e expressões russas podem ser ouvidas amiúde em feiras, lojas e ruas de um bairro na Zona Leste da São Paulo chamado Vila Zelina, embora ali não more quase ninguém nascido na Rússia.

Cinco mil de seus quinze mil moradores –  descendentes de imigrantes do Leste Europeu -  são, na maioria, descendentes de russos. Há 85 anos, quando chegaram os primeiros imigrantes, eles conservam a língua, a religião, as tradições, a cultura e sobretudo as delícias russas encontradas em empórios, tais como piroshki, varênki, kvas, chás russos etc.

Victor Gers Jr. É um dos responsáveis por isso. Com 48 anos, ele mora há 42 na Vila Zelina.  Presidente da Associação de Moradores e Comerciantes do Bairro e neto de russos que emigraram na Segunda Guerra Mundial, ele  morou na Rússia entre 1997 e 1999 e  de 2001 a 2004. E sente saudades de Moscou, que para ele “é única no mundo”.

“Gostei muito de Moscou. Gostei de tudo. Do calor humano, do clima histórico que a cidade transmite, de sua parte cultural que é espetacular. Também é uma cidade muito arborizada”, conta à Gazeta Russa.

O vendedor de lotes

Gers é o grande mobilizador da comunidade russa no local. No domingo (21), a festa de aniversário de Vila Zelina, que ele comanda há cinco anos, coroou a estreita relação da vila com a Rússia.

Cinquenta e cinco barracas – 35 de artesanato e 20 de culinária típica – e um palco onde se apresentaram conjuntos de danças e cantos folclóricos russos e de vários países foram as atrações. Além, é claro, da alegria em receber, tipicamente russa.

A Vila Zelina é uma ilha de tranquilidade na caótica metrópole. Com poucos prédios, a arquitetura e ambiente lembram uma cidade do interior.

Não faltam igrejas para várias religiões e comunidades: Igreja Católica russa, Igreja Católica Ucraniana, Igreja Ortodoxa Lituana, Igreja Batista Boas Novas Batista Russa. E nas igrejas russas, reza-se em russo.

Há muitos elementos que aproximam o bairro da Rússia, além dos moradores. Há, por exemplo, uma agência de turismo especializada em viagens à Rússia.

“Temos também uma grande demanda para aprender o russo, não só de descendentes, mas de brasileiros também”, conta Victor. Parte dela está sendo atendida por uma escola instalada no bairro vizinho, Vila Prudente.

“Apenas duas escolas Yázigi no Brasil ensinam o russo. Aqui temos uma delas. Graças ao apoio decisivo do consulado geral da Rússia em São Paulo”, completa.

Bons de bola

A Vila Zelina também participa intensamente do intercâmbio cultural e esportivo com a Rússia.

Em 2008, o time de futebol de salão para jogadores até 17 anos da Vila Zelina ficou em primeiro lugar entre 30 países que disputaram o torneio promovido pelo Conselho Coordenador dos Imigrantes Russos, que acontece a cada dois anos em Moscou.

O mesmo Conselho também organiza um Festival da Canção dos Imigrantes Russos para o qual a Vila Zelina enviou à capital russa quatro representantes em 20111: dois cantores, um músico e um coordenador cultural.

Agora, Victor luta para transformar Vila Zelina em bairro temático do Leste Europeu. A maquete mostrando a transformação da rua Monsenhor Pio Ragazinkas já está pronta. 

“As calçadas serão alargadas, a fiação será aterrada, e teremos paisagismo do Leste Europeu,  além de fachadas com apliques russos, lituanos e húngaros”, diz Victor.

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