Praça Vermelha ganhará rota de acesso ao Kremlin

8 de agosto de 2016 Kira Egorova, Gazeta Russa
Novas descobertas arqueológicas sob o Kremlin serão atração de novo trajeto turístico. Inauguração é prevista para 30 de novembro.
Bilhetes para novo percurso serão vendidos separadamente Foto:Lori / Legion Media

Até o final de 2016, os turistas terão mais uma opção para acessar o Kremlin, com uma nova rota iniciando a partir da Torre Spasskaya, na Praça Vermelha. O trajeto apresentará “janelas arqueológicas”, com a possibilidade ver as ruínas do Mosteiro Tchudov e do Convento Voznessénski, bem como do Palácio Máli Nikoláevski.

Os mosteiros, que remontam aos séculos 16 e 14, respectivamente, e palácio, erguido no século 19, foram demolidos em 1929, para dar espaço a uma academia militar, e seus restos só foram descobertos durante escavações arqueológicas em 2016.

“Os porões dos mosteiros que descobrimos são uma descoberta e tanto”, diz Konstantin Mikhailov, coordenador do grupo de preservação Arkhnadzor. “Antes de começarmos a escavar, ninguém imaginava que havia restado qualquer coisa ali.”

Palácio Máli Nikoláevski

Construído no século 19, este palácio serviu de residência real para a família do imperador durante suas visitas a Moscou. Foi demolida em 1929, mas os trabalhadores estavam com cronograma apertado, por isso, após a remoção dos escombros, o porão foi simplesmente preenchido com concreto, o que permitiu a preservação de parte do edifício.

“Faz todo sentido iniciar o trajeto pela Torre Spasskaya”, diz Olga Sitnik, coproprietária do ExploRussia, focado em passeios individuais para visitantes estrangeiros. “Os turistas sempre vêm à Praça Vermelha, então, ficarão felizes de concluir o percurso dando uma olhada na escavação”, completa. Atualmente, o único caminho para os visitantes do Kremlin é pela entrada do Jardim Aleksándrovski.

Foto: TASS/Serguêi SavostianovFoto: TASS/Serguêi Savostianov

Foto: TASS/Anton NovoderejkinFoto: TASS/Anton Novoderejkin

Esta será também a primeira janela arqueológica de Moscou. “Mostrar aos turistas e aos moradores as profundezas da história da cidade, no sentido literal, é uma tendência mundial que pode ser observado não só em Roma ou Londres, mas também em Viena, onde uma série de construções antigas foram incorporadas a passagens de pedestres subterrâneas e pavilhões de metrô”, diz Mikhailov.

Mosteiro Tchudov

Finalizado em 1365, o Mosteiro Tchudov é bastante mencionado em crônicas relacionadas aos acontecimentos do Tempo das Perturbações (entre 1598 e 1613). Foi dali que o monge Grigôri Otrepiev fugiu para se tornar o falso Dmítri I. Em 1812, Napoleão usou o mosteiro como seu quartel-general e para acomodação de alguns de seus regimentos de guarda.

O projeto, que foi atribuído pelo presidente russo Vladímir Pútin ao Ministério da Cultura no último dia 1º de agosto, também dá aval para a continuidade dos trabalhos de exploração na parte oriental da propriedade do Kremlin.

Foto: TASS/Anton NovoderejkinFoto: TASS/Anton Novoderejkin

“É uma oportunidade sem precedentes. Esses trabalhos de exploração no Kremlin jamais foram realizados antes. Estamos ansiosos por novas revelações”, diz Mikhailov

Convento Voznessénski

Inaugurado em 1386, o Convento Voznessénski era o local onde as noivas de tsares russos se preparavam para suas cerimônias de casamento. Suas igrejas haviam sido projetadas pelos melhores arquitetos da época, incluindo Carlo Rossi. O convento foi também a morada final de grã-duquesas e tsarinas da Rússia antiga, e há cerca de 70 túmulos localizados na propriedade. 

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