Feijoada e pão de queijo apresentam Brasil a Moscou

Pratos uzbeques e georgianos são populares em Moscou desde a época soviética e, após a queda do regime, pizzarias e restaurantes japoneses pipocaram em quase todas as esquinas. Hoje, porém, cada vez mais chefs de vários pontos do globo estão apresentando a culinária de seus países e conquistando os moscovitas pelo estômago.
Pão de queijo é um dos itens mais pedidos em café brasileiro Foto:Divulgação Café Brazilia

Marrocos: Tatiana Melnikova, restauranteur, Odessa-mama, Khatchapuri, Tagine

O Tagine, situado na rua Trubnaia, no centro de Moscou, é um projeto novo, que começou em junho passado. Nós apresentamos a culinária marroquina aos moscovitas. Estou certo de que se tornará uma nova tendência – ainda mais considerando a atual demanda por comida saudável e pratos vegetarianos. Nesse aspecto, a culinária marroquina é muito diversificada, apesar de haver uma enorme variedade de pratos com carne também. O Tagine tem um modo particular de preparar os alimentos, voltado para o que chamamos de slow-cooking, que permite preparar a comida sem gordura. Nossa comida, preparada em tagine, simplesmente derrete na boca. Tivemos que fazer algumas pequenas adaptações nos pratos, mas mantivemos a intensidade e o sabor da culinária do Magreb. Para promover a cozinha marroquina, participamos também de festivais culinários que acontecem pela cidade.

Foto: Tania Panova/Divulgação TagineFoto: Tania Panova/Divulgação Tagine

Brasil: Sérgio Gomes, chef, Café Brazilia

Notei que os brasileiros que vêm aqui geralmente pedem por churrasco, arroz, feijão e feijoada – nosso prato mais tradicional. Aliás, se algum russo ou estrangeiro deseja experimentar uma das opções da culinária brasileira que ainda desconhece, nossos garçons seguramente recomendam este prato. Aos poucos, quem se torna frequentador ganha coragem para ir provando outras coisas: por exemplo, moqueca, ou um de nossos tantos doces. Quase não comemos pão no Brasil [com as refeições], mais de manhã mesmo. E os russos costumam pedi-lo de imediato para acompanhar qualquer prato! Isso me surpreendeu! Mas há sempre a opção de um pão de queijo quentinho...

Sérvia: Mladen Dochliak, restauranteur, rede de restaurantes Iugos

Fomos os primeiros em Moscou a servir pratos da culinária sérvia. Eu sou da própria Sérvia e já trabalho na Rússia há 20 anos. O segredo para o sucesso, acredito eu, está no fato de nossas nações serem muito semelhantes em termos de mentalidade, e a culinária sérvia é simples e viva. Além disso, tanto os russos como os servos adoram pratos grandes, carne e não se entusiasmam muito com condimentos – usam pimentinhas vermelhas, pimenta-do-reino, e alho, e isso é o bastante. Com o tempo, tivemos a ideia de como apresentaríamos a comida sérvia na Rússia. Algumas de nossas palavras soam engraçadas para os russos. Por isso, resolvemos publicar artigos engraçados na imprensa local, como, por exemplo: o que vocês acham que as palavras “chevapchichi” e “tufachiya” significam? As respostas foram as mais diversas: de sapatos a rainha. Na verdade, a primeira quer dizer costela, e a segunda se refere a um doce de maçã. Recentemente participamos de um festival no parque VDNKh com uma barraquinha dedicada a culinária sérvia. Minha ideia era encontrar clientes e curtir com eles um shot de nossa bebida tradicional, a rakia.

Foto: Divulgação IugosFoto: Divulgação Iugos

Peru: Orlando Baldeon, chef, Lima

A culinária peruana é um mix de diferentes culturais em um só prato. Influências incas, asiáticas, espanholas e africanas combinadas e transformadas em tradição própria. Os principais pratos da cozinha peruana no nosso menu são sopas e mexilhões recheados com vegetais e suco de limão. Meu objetivo é produzir o sabor da verdadeira culinária peruana, a tradicional, aquela com a qual estou acostumado desde criança. Os sabores certos, a intensidade de sabor e o equilíbrio são fundamentais. Os peruanos gostam de combinar peixes e frutos do mar com ingredientes que dão um leve toque azedinho. Mas aqui estamos em outro continente, com outra mentalidade – embora os russos sejam muito curiosos, estejam sempre dispostos a experimentar algo novo e amem pratos bem servidos, assim como nós! Por vezes, no entanto, tenho que fazer adaptações: os russos não são muito fãs de comida apimentadíssima, então eu maneiro no tempero, mantendo, é claro, a essência da culinária peruana.

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