Cinco mulheres que marcaram a Revolução Russa

25 de março de 2017 Alina Safrónova, Russia Direct
O início da Revolução Russa, há cem anos, coincide com o Dia Internacional das Mulheres, em 8 de março. Mas o que muitas pessoas não sabem é que as mulheres desempenharam um papel importante nos eventos revolucionários. Confira cinco das personagens femininas que cravaram seu nome na história.
Inessa Armand foi braço direito e grande amor de Lênin Foto:Arquivo

1. Comprometida com a causa marxista, a política Nadejda Krúpskaia era a mulher do líder comunista Vladímir Lênin. Nascida de pai militar, em uma família nobre de São Petersburgo, Nadejda participava de várias clubes de discussão durante os estudos no Ginásio Feminino.

Nadejda Krúpskaia Foto: wikipedia.orgNadejda Krúpskaia Foto: wikipedia.org

Foi em um desses grupos que, mais tarde, conheceu Lênin. Impressionada por suas ideias, Nadejda decidiu segui-lo em seu exílio na Sibéria, em 1896. Lênin e Krúpskaia casaram-se logo após a chegarem à nova morada.

Ao longo de toda a vida, mantiveram uma relação mais profissional do que afetiva como casal (em sua concepção tradicional). Após o exílio, os dois se mudaram para Genebra, onde Krúpskaia trabalhou como editora no jornal revolucionário “Iskra”.

Em abril de 1917, ela e Lênin retornaram à Rússia. Após os bolcheviques tomarem o poder, foi nomeada para trabalhar como subordinada de Anatóli Lunatcharski, o primeiro Comissário do Povo de Educação. Krúpskaia foi vice-ministra da Educação da União Soviética por mais de dez anos e inspirou o movimento dos pioneiros (análogo de escoteiros).

Os detalhes sobre a vida ao lado de Lênin podem ser encontrados em suas memórias, intituladas “Reminiscências de Lênin”.

2. Inessa Armand era feminista e comunista, figura importante do movimento da Revolução, e o amor da vida de Lênin.

Inessa Armand Foto: wikipedia.orgInessa Armand Foto: wikipedia.org

Inessa nasceu em uma família de artistas em Paris, mas foi criada em Moscou por sua tia e avó. Aos dezenove anos, casou-se com o herdeiro de um homem rico que fabricava tecidos. Ela e seu marido, porém, compartilhavam ideias revolucionárias e abriram uma escola para camponeses em Moscou.

Depois de ser presa por suas atividades políticas, em 1907, Inessa passou um ano exilada no norte da Rússia. Um ano depois, conseguiu escapar do exílio e fugiu para Paris, onde se encontrou com Lênin. Charmosa, com dotes musicais, fluente em várias línguas e apaixonada pelo bolchevismo, tornou-se rapidamente sua mão direita.

Inessa foi enviada por Lênin para organizar a campanha dos bolcheviques nas eleições para a Duma (câmara dos deputados). Após a Revolução de Outubro, tornou-se diretora da Jenotdel, uma organização que lutava pela igualdade feminina no Partido Comunista e nos sindicatos. Também presidiu a Primeira Conferência Internacional das Mulheres Comunistas.

Em 1920, Inessa morreu de cólera, aos 46 anos.

3. A revolucionária Natália Sedova foi a segunda esposa do marxista Leon Trótski – além de organizar o Exército Vermelho, Trótski também conduziu a transferência do poder político para os soviéticos com a Revolução de Outubro de 1917.

Natália Sedova Foto: wikipedia.orgNatália Sedova Foto: wikipedia.org

Sedova era filha de um comerciante rico e foi educada na Rússia. Aos vinte e poucos anos, conheceu Trótski em uma exposição de arte em Paris. Apoiava o jornal “Iskra”, representado em Londres por seu marido. Ambos participaram da Revolução de 1905.

Durante a Primeira Guerra Mundial, a família inteira viajou pela Europa, de Viena a Paris e a Zurique. Sedova e Trótski retornaram à Rússia em 1917.

Após a Revolução de Outubro, recebeu um cargo no Comissariado do Povo de Educação, ficando encarregada de museus e monumentos antigos. Em 1929, Trótski e sua família foram expulsos da União Soviética e fugiram para a Cidade do México.

Com a morte do marido, em 1940, Sedova mudou-se para Paris e lá manteve contato com muitos revolucionários exilados. Seu trabalho mais conhecido nos últimos anos foi uma biografia de Trótski.

4. A estadista e diplomata Aleksandra Kollontai foi a primeira mulher a assumir a posição de ministra na história do país. Graças a sua atividade política, as mulheres adquiriram direitos por lei na Rússia.

Aleksandra Kollontai Foto: wikipedia.orgAleksandra Kollontai Foto: wikipedia.org

Nasceu na Ucrânia, mas foi criada em São Petersburgo. Depois de um casamento prematuro, seguido de separação, Aleksandra trabalhou para uma série de entidades educacionais. Formou-se em história em Zurique e viveu na Finlândia por vários anos. Em 1915, juntou-se aos bolcheviques e retornou à Rússia, onde rapidamente foi nomeada Comissária do Povo para Assuntos do Bem-estar Social.

Conduziu estudos importantes sobre os direitos das mulheres na Rússia e iniciou reformas para promover a igualdade entre gêneros. Durante os tempos de Stálin, Aleksandra serviu como diplomata da URSS na Noruega, no México e na Suécia.

5. Rosalia Zemliatchka foi uma revolucionária russa de origem judaica, política e estadista soviética. Alguns a chamavam de “Demônio” e “Fúria do Terror Vermelho”. Foi a primeira mulher a ser laureada com a Ordem da Bandeira Vermelha.

Rosalia Zemliatchka Foto: wikipedia.orgRosalia Zemliatchka Foto: wikipedia.org

Era filha de um comerciante rico e passou a primeira parte de sua vida em Kiev. Foi durante o curso de medicina, ainda na Ucrânia, que se envolveu em atividades revolucionárias.

Também esteve envolvida na organização da Primeira Revolução Russa e da Revolução de Fevereiro. Em 1917, Zemliatchka comandou uma manifestação armada de trabalhadores em Moscou.

Depois da Revolução, trabalhou como secretária do Comitê Regional da Crimeia. Zemliatchka ficou famosa como uma das organizadoras do Terror Vermelho na região, contra ex-soldados do Exército Branco, em 1920 e 1921. Morreu em 1947 e foi enterrada na Necrópole da Muralha do Kremlin, na Praça Vermelha.

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