Sete fatos que explicam por que Ivan era o Terrível

23 de outubro de 2016 Oleg Egorov, Gazeta Russa
Em meados de outubro, a cidade de Oriol (350 km ao sul de Moscou) ganhou o primeiro monumento do país a Ivan 4º, conhecido como o Terrível. Assim como outros que lideraram a Rússia, tsar tem histórico marcado por polêmicas.
Tela retrata tomada de Kazan por Ivan 4º em 1552 Foto:Getty Images

1. Primeiro tsar russo

Em 1547, ao atingir a idade adulta, Ivan foi coroado tsar de toda a Rússia. Antes dele, todos os governantes de Moscóvia (ou Principado de Moscou) eram grão-príncipes.

Ivan foi o primeiro a se autodeclarar tsar, seguindo a tradição europeia do imperador cujo poder vem diretamente de Deus.

Tal título deu à Rússia e a seu líder peso significativo aos olhos dos monarcas europeus. Ivan, o Terrível foi então reconhecido como imperador pela Rainha Elizabeth I e pelo Imperador Romano-Germânico Maximiliano 2º, entre outros.

Na época, o tsar mantinha intensa correspondência com Elizabeth e, reza a lenda, teria até pedido sua mão. Embora recusando a proposta, foi precisamente nesse momento que Rússia e Inglaterra começaram a intensificar as trocar comerciais.

2. Período de reformas

Em sua juventude, Ivan tentou governar de forma progressiva: entre 1549 e 1560, administrou o país com o apoio de um governo informal, a Rada Eleita (círculo de confidentes, representantes da aristocracia e do clero).

A Rada implementou uma série de reformas importantes, concentrou o poder nas mãos do tsar e limitou a autoridade dos boiardos (título atribuído aos membros da aristocracia russa do século 10 ao século 17). Mais tarde, Ivan dissolveu a assembleia e começou a governar sozinho.

3. Repressões em massa na Rússia

Em 1565, após a Rada, veio a opritchnina, uma política de Estado marcada por repressões cruéis. O tsar dividiu o território russo em Zemschina, onde os boiardos mantiveram sua autoridade, e Opritchnina, na qual Ivan governava diretamente com a ajuda de seu opritchniki (guarda-costas que compunham a Guarda Nacional).

O núcleo da Opritchnina, segundo os aristocratas alemães contemporâneos Taube e Krause, era formado por uma certa “ordem da Igreja”, dirigida pessoalmente pelo tsar. Os membros da ordem, que se vestiam como monges e oravam juntamente com Ivan, tinham como símbolos a cabeça de um cão e uma vassoura.

“Isso significa que, primeiro, eles mordem como cães, e depois varrem os restos desnecessários para fora do país”, escreveram Taube e Krause.

Até 1572, o opritchniki aterrorizou os boiardos e seus apoiantes, aniquilando famílias inteiras. “Até mesmo mulheres e crianças foram mortas, as mulheres acusadas ​​de infidelidade eram ironicamente abusadas, e pessoas eram torturadas publicamente da forma mais cruel possível”, descreve o historiador Dmítri Volodikhin. No final desse período, os líderes do opritchniki também foram mortos. Segundo estimativas, pelo menos 4.500 pessoas morreram nesses expurgos.

Retrato de Ivan 4º, de Víktor Vasnetsov Foto: Wikipedia.orgRetrato de Ivan 4º, de Víktor Vasnetsov Foto: Wikipedia.org

4. Vida em guerra

Ivan passou todo seu reinado guerreando na tentativa de expandir o país.

Por um lado, derrotou os Canatos de Kazan e Astrakhan, unindo-os à Rússia. Também se apropriou do Volga e dos Urais e começou a explorar as terras da Sibéria.

Mas, por outro, a Rússia perdeu a Guerra da Livônia (1558 a 1583) contra a Suécia e a República das Duas Nações, e não obteve acesso ao mar Báltico.

Durante décadas, a parte central da Rússia foi invadida por tártaros da Crimeia. Em 1571, eles conseguiram chegar até Moscou e queimaram tudo, exceto o Kremlin. Os tártaros foram, enfim, derrotados, mas o país já estava financeiramente arruinado.

5. Contradição e desconfiança

Ivan acreditava em Deus e fazia doações generosas para mosteiros, embora alguns padres também fossem mortos por ordens suas. Instruído e bom orador, Ivan abriu a primeira casa de impressão na Rússia com a ajuda de editores dinamarqueses e exigiu que o clero fundasse escolas para ensinar as crianças a ler e escrever. Graças a isso, durante seu reinado surgiram em Moscou instituições semelhantes a conservatórios.

Paralelamente, era extremamente vingativo (característica que se manifestou, particularmente, durante a opritchnina), dando ordens para as execuções cruéis. “Somos livres para admirar nossos escravos, e para executá-los”, dizia o tsar.

6. Infância linha dura

Seu pai morreu em 1533, quando o herdeiro tinha apenas três anos. Ivan tornou-se então o grão-príncipe de Moscóvia, embora, obviamente, não pudesse governar. Enquanto isso, os boiardos, representantes da velha aristocracia, lutavam pelo poder.

Quando tinha oito anos, Ivan ficou órfão. Os príncipes Chuiski, que eram seus tutores, o negligenciaram e nem mesmo, segundo Ivan, lhe davam comida suficiente.

O historiador Serguêi Soloviov acredita que foi a educação linha dura de Ivan que contribuiu para seu caráter cruel. “O interesse próprio, o desprezo pelo bem comum, pela vida e pela honra dos vizinhos eram semeados pelos Chuiski – e foi assim que Ivan, o Terrível cresceu”, descreve Soloviov.

7. Infelicidade perene

Ivan teve, pelo menos, seis esposas – além de oito filhos, dos quais a maioria morreu ainda na infância. O mais velho de todos, que faleceu em 1581, teria sido morto acidentalmente pelo próprio tsar, que o atingiu com um bastão durante um momento de discussão. Alguns pesquisadores dizem, porém, que essa história não passa de um mito e alegam que o tsarevitch morreu em decorrência de uma doença.

Uma das mais famosas pinturas na Galeria Tretiakov, em Moscou, é dedicada a esta lenda: “Ivan, o Terrível, matando seu filho”, de Iliá Répin. Na obra, Ivan é retratado como um velho com olhos esbugalhados que abraça seu filho à beira da morte, após tomar consciência do horror que acabar de cometer.

"Ivan, o Terrível matando seu filho", de Iliá Repin Foto: Wikipedia.org"Ivan, o Terrível matando seu filho", de Iliá Repin Foto: Wikipedia.org

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