De espiões a aliados, um retrato russo nos blockbusters

23 de outubro de 2016 Alissa Kurmanaeva, RBC Style
Representação exagerada dos russos na cultura ocidental vem perdendo força na última década. Confira personagens mais emblemáticos desde a época da Guerra Fria.
Presidentes russo Víktor Petrov (esq) e norte-americano Frank Underwood, em "House of Cards" Foto:Kinopoisk.ru

O clipe do cantor britânico Robbie Williams “Party Like a Russian”, que já obteve mais de 4 milhões de visualizações no YouTube, está longe de ser a primeira representação exagerada dos russos na cultura pop ocidental.

Espiões diabólicos

“Mesmo antes da Guerra Fria, a Rússia já era muitas vezes retratada como uma ameaça geopolítica ao Ocidente”, disse James Chapman, professor de cinematografia na Universidade de Leicester, em entrevista à rede BBC.

“Mas [os estereótipos] assumem uma inflexão ideológica particular durante a Guerra Fria, quando esse tipo de associação se referia não apenas à Rússia, mas também ao comunismo soviético”, continuou.

Entre os exemplos de russos como personagens nefastos que trabalham para minar o Ocidente estão os militares soviéticos que sequestravam soldados norte-americanos com a intenção de submetê-los a tratamento psicológico e torná-los zumbis, em “O Candidato da Manchúria” (1962); o chefe da SMERSH (departamento de contraespionagem), general Grubozaboyschikov, e seu desagradável subordinado, o agente Rosa Klebb, no clássico de James Bond “Moscou contra 007” (1963); e o coronel sádico Podovsky em “Rambo II - A Missão” (1985).

Cena de "Moscou contra 007" Foto: Kinopoisk.ruCena de "Moscou contra 007" Foto: Kinopoisk.ru

Aliados de cooperação

Com o início da perestroika, porém, as características dos russos nos filmes estrangeiros começaram a mudar. Assim, cresceu o número de longas com russos  dispostos a cooperar e estabelecer relações entre o país e o Ocidente.

O capitão da polícia Ivan Danko, interpretado por Arnold Schwarzenegger em “Inferno Vermelho” (1988), tem um rosto severo, modos grosseiras e abusa, de forma grotesca, de palavras como “kapitalizm” (capitalismo) e “khuligani” (hooligans), mas tem por missão capturar o chefe da máfia georgiana nas ruas de Chicago.

Schwarzenegger em "Inferno Vermelho" Foto:: Kinopoisk.ruSchwarzenegger em "Inferno Vermelho" Foto:: Kinopoisk.ru

De modo semelhante, o coronel Lev Andropov, de “Armageddon” (1998), tem visual um tanto selvagem e veste um chapéu com orelhas. Porém, sua contribuição é significativa para a salvação da humanidade de um asteroide poderoso.

Oligarcas e gângsteres

Com a chegada da década de 2000, os russos passaram a ser retratados em filmes ocidentais como super-ricos e mafiosos.

O personagem Uri Omovich, coadjuvante no longa de ação “RocknRolla”, de Guy Ritchie, é exatamente o oposto das referências comuns associadas a oligarcas russos.

O teto de sua espaçosa casa não é revestido de folha de ouro, e Omovich não exibe tatuagens nos dedos. Além disso, entende de arte e não bebe.

Omovitch se assemelha a Abramôvitch, em "RocknRolla" Foto: Kinopoisk.ruOmovitch se assemelha a Abramôvitch, em "RocknRolla" Foto: Kinopoisk.ru

Diversos comentários no portal de cinema IMDb destacam a semelhança entre este personagem e Roman Abramôvitch. Em primeiro lugar, o ator realmente se parece com o oligarca russo; em segundo, Omovich suborna para obter autorização para a construção de um estádio de futebol, e Abramôvich é o dono do inglês Chelsea.

Charme e perigo em potencial

Os personagens russos tanto na TV como no cinema norte-americano de hoje apresentam mais nuances. São muitas vezes atraentes e têm qualidades admiráveis, mas também dão a impressão de pessoas cujo caminho é melhor não cruzar.

Em “House of Cards”, o presidente russo Víktor Petrov (Lars Mikkelsen), o adversário político do presidente dos EUA Frank Underwood, é inteligente, astuto e bastante perigoso. Underwood é avisado sobre tais características por sua esposa, Claire, que recebera um beijo na boca do russo durante um banquete oficial.

Petrov é, assim, um grande contrapeso ao presidente norte-americano, e, em alguns aspectos, consegue superá-lo. Além de bastante jovem, magro e elegante, é rápido na resposta e tem jeito com as palavras.

Outro exemplo contemporâneo é Pável Tchekov, o piloto da nave Enterprise nos últimos longas da série “Star Trek” e um dos melhores heróis russos no cinema ocidental. Tchekov é simpático, sorridente, não sonha em destruir metade do mundo e sabe como trabalhar em equipe.

Tchekov é o piloto russo em "Star Trek" Foto: Kinopoisk.ru Tchekov é o piloto russo em "Star Trek" Foto: Kinopoisk.ru

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