Cinco provas do amor soviético pela Cuba de Fidel Castro

1 de dezembro de 2016 Anna Kocharova, Ria Nóvosti
Com suas danças calorosas, música comovente e lendários charutos e rum, Cuba sob Fidel Castro era vista pelos soviéticos como uma ilha de liberdade e alegria de viver.
Fidel (dir) e Brejnev no aeroporto internacional de Cuba Foto:Eduard Pesov/RIA Nôvosti

Música ‘Cuba, My Love’

As letras de “Cuba, My Love” se tornaram frases cotidianas assim que a música foi lançada. O hit foi escrito pelos compositores soviéticos Aleksandra Pakhmutova e Nikolai Dobronravov para a visita de Fidel Castro à cidade de Bratsk, em 1962.

Os ritmos da dança cubana e o fervor revolucionário foram as principais associações que o povo soviético teve com a ilha nos primeiros anos do poder de Castro, e esses temas estavam presentes na famosa canção.

“Cuba, My Love” se tornou tão popular que foi regrada por vários artistas, incluindo Muslim Magomaev e Iossif Kobzon. Este último interpretou a música vestido como Fidel Castro durante as gravações do programa de Ano Novo da Ogonek, em 1962.

Fonte: YouTube/Светлана Тимченко

Retratos de Fidel

Havia dois heróis principais da Revolução Cubana: Fidel Castro e Che Guevara. O primeiro foi idolatrado pela geração dos anos 1960; o segundo, pelos jovens do século 21. Muitos artistas e escultores ilustres da URSS utilizaram Castro como inspiração.

Fidel era bonito e carismático, com traços interessantes e uma incrível energia interior – aspectos que faziam dele uma figura cativante para os artistas em geral. Por isso, diversos retratos de Castro foram produzidos nos governos de Khruschov e Brejnev.

Um dos primeiros russos a visitar Cuba na década de 1960 foi Piotr Ossovsky. Tempos depois, o artista contou como havia feito um esboço de Castro durante o almoço, enquanto o líder cubano conversava com ginastas soviéticos.

Retrato de Fidel por Ivan Akimovic, em 1962 Foto: Klevtsov/RIA NôvostiRetrato de Fidel por Ivan Akimovic, em 1962 Foto: Klevtsov/RIA Nôvosti

Poesia de Evguêni Ievtuchenko

O poeta Evguêni Ievtuchenko também participou dos primeiros intercâmbios culturais entre a União Soviética e Cuba. Após sua viagem à ilha, durante a qual se encontrou com Castro, Ievtuchenko escreveu o poema em prosa “Eu sou Cuba”.

Em 1964, o poeta o transformou em um roteiro, e Mikhail Kalatozov produziu um filme. O poema conta histórias de cidadãos comuns na véspera da Revolução Cubana.

Cena do filme de Mikhail Kalatozov Foto: RIA NôvostiCena do filme de Mikhail Kalatozov Foto: RIA Nôvosti

Maia Plissétskaia e ‘Carmen Suite’

A lendária “Carmen Suite” é considerada um dos grandes clássicos do balé e uma das produções mais vívidas da segunda metade do século 20.

Em 1967, a pedido de Plissétskaia, o coreógrafo cubano Alberto Alonso montou um balé para a música de “Carmen”, de Georges Bizet, mas com arranjo do compositor russo Rodion Schedrin.

Na época, a produção foi um escândalo: primeiro, Plissétskaia não seguiu os rígidos preceitos da dança acadêmica; além disso, os censores soviéticos ficaram ultrajados pela sexualidade explícita com que Plissétskaia representou o papel de Carmen.

Plissetskaia como Carmen em apresentação no Bolshoi Foto: Solovjev/RIA NôvostiPlissetskaia como Carmen em apresentação no Bolshoi Foto: Solovjev/RIA Nôvosti

Dança e ginga cubana

Comparado com os programas culturais oficiais soviéticos, os vários conjuntos de dança cubanos que percorreram a URSS pareciam vindos de uma civilização totalmente diferente.

Os músicos cubanos apresentavam melodias sincopadas em suas guitarras e maracas, enquanto bailarinos em trajes extravagantes remexiam seus quadris no palco. O público soviético ficava encantado, e os jovens se sentiam inspirados a fazer aulas de dança cubana em vez de, por exemplo, ginástica.

Grupo de fazendo coletiva durante apresentação "Cuba" Foto: Vladimir PerventsevGrupo de fazendo coletiva durante apresentação "Cuba" Foto: Vladimir Perventsev

Com a agência de notícias RIA Nôvosti

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