Ficção científica que vira realidade

15 de julho de 2013 Viktória Uchakova, Gazeta Russa
De livros eletrônicos a roupas de mergulho, conheça tecnologias que apareceram antes em livros de ficção científica.
Foto: capa da revista soviética "Tékhnika Molodióji"
Foto: capa da revista soviética "Tékhnika Molodióji"

Muitas vezes, escritores manifestam-se como profetas, “inventando” nas páginas que escrevem algo que ganhará vida mais tarde.

A Gazeta Russa folheou alguns livros de autores russos de ficção científica para encontrar alguns exemplos.

Roupa de mergulhador

O romance “O Homem Anfíbio”, de Aleksandr Beliáev, foi publicado em 1928. Conta a história de um jovem chamado Ikhtiandro, que, na infância, teve  implantadas guelras de tubarão.

Ikhtiandro passava muito tempo no mar usando uma roupa fina e justa, bem como pés de pato, luvas e óculos de lentes grossas. Hoje em dia, este é um equipamento usado por quem pratica mergulho ou caça submarina.

As modernas roupas de mergulhador, feitas de neoprene, mantêm a temperatura do corpo e assemelham-se a uma segunda pele. Começaram a ser fabricadas nos anos 1950, nos EUA.

Jornal eletrônico

O gadget para a leitura de jornais eletrônicos foi descrito pelo ficcionista soviético Kir Bulitchov em 1978. Na sua novela “Cem Anos à Frente”, ele descreve um dispositivo parecido com o smartphone ou o tablet, a que ele chamava jornal.

Bastava a personagem do livro carregar numa caixinha preta posicionada lateralmente e logo sobressaía um tela a cores, onde passavam notícias sobre um festival na Lua ou debates na ONU.

Apesar de, nos anos 1970, da ideia dos livros eletrônicos já não causar espantanto, o primeiro dispositivo comparado aos de hoje para a leitura de textos na versão eletrônica surgiu apenas em 1992.

Biblioteca digital

Os vídeos e audiolivros a que hoje estamos tão habituados afirmaram-se uma descoberta fascinante para as personagens de “Aelita”, um romance escrito em 1923 por Aleksêi Tolstói. Reza a história que dois habitantes da Terra haviam encontrado, em Marte, uma cidade destruída com a sua biblioteca preservada.

Ali se depararam não só com volumes normais, em papel, mas também com uma tela onde viram passar um vídeo de curta duração. O engenheiro Los, um dos protagonistas, surpreendeu-se com objetos parecidos com cartões de memória e um livro que emitia uma bela música.

Holograma

Ivan Efremov, no conto “A Sombra do Passado”, publicado em 1945, descreveu um fenômeno que o físico húngaro Dennis Gabor viria a descobrir e a batizar de holograma, passados dois anos.

Os protagonistas do conto eram paleontologistas, os quais deram com um tiranossauro numa camada de resina petrificada. Em 1971, Gabor recebeu o Prêmio Nobel por ter inventado o método holográfico. A obtenção de uma imagem em três dimensões através de raios de luz interessou Gabor quando ele trabalhava no aperfeiçoamento do microscópio eletrônico.

Alimentos de petróleo

Em “Nós”, romance de Evguêni Zamiátin lançado em 1920, a humanidade começou a produzir alimentos de petróleo, o que resolveu de uma vez para sempre o problema da fome. Num mundo em que já não havia raças, nomes, modas, nem vida pessoal, todos tinham direito aos seus cubos de derivados de petróleo.

A partir dos anos 1950, a síntese microbiológica com base em hidrocarbonetos de petróleo começou a ser empregada na fabricação de proteínas, vitaminas e antibióticos.

Energia nuclear

Aleksandr Bogdanov descreveu um aparelho atômico interplanetário em 1908 no romance “A Estrela Vermelha”.

A nave espacial marciana “eteronef”, ou seja, “nave para viajar no éter”, feita de alumínio e vidro, tinha forma oval e deslocava-se a uma velocidade de até aos 50 km/seg.

Elementos de uma substância radioativa dissociavam-se nos motores, e a energia assim libertada impulsionava a nave.

Em 1932, o inglês James Chadwick demonstrou a existência do nêutron, alargando assim os horizontes da física nuclear, descoberta que lhe valeu o Prêmio Nobel em 1935. 

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