Cinema russo desembarca no Brasil

18 de maio de 2013 Norma Moura, Gazeta Russa
Atomic Ivan, o primeiro filme de Vasily Barkhatov, é uma das grandes atrações do III Uranium Film Festival, o festival internacional de cinema sobre energia nuclear que acontece na Cinemateca do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro, de 16 a 26 de maio. O filme será exibido neste sábado, às 19h.
Primeiro longa-metragem do jovem cineasta Vasily Barkhatov , Atomic Ivan tem sido considerado um dos dez melhores da mostra Foto: "Uranium Film Festival"
Primeiro longa-metragem do jovem cineasta Vasily Barkhatov , Atomic Ivan tem sido considerado um dos dez melhores da mostra Foto: "Uranium Film Festival"

Primeiro longa-metragem do jovem cineasta Vasily Barkhatov , Atomic Ivan tem sido considerado um dos dez melhores da mostra, e é forte concorrente ao Oscar Amarelo, a principal premiação da competição.

Diretora-executiva do festival, a socióloga e professora da Faetec Márcia Gomes não esconde o entusiasmo ao falar da seleção do filme russo para o festival. “Ele é fantástico! É exatamente o caminho que estamos buscando como avanço intelectual e artístico sobre a questão nuclear”.

A comédia romântica tem como pano de fundo a indústria nuclear. A história se passa em uma cidade que abriga uma usina, onde Tania, uma cientista focada em sua carreira, e seu namorado, Ivan, um engenheiro nuclear focado nela, revivem um amor de infância. Ivan, o personagem principal, segue os passos da mãe e da avó, uma pioneira na indústria nuclear.  Herois do nosso tempo, eles trazem à tona a discussão inadiável sobre os riscos da radioatividade.

Márcia aposta que, por sua qualidade técnica, imagens e tema, o filme vá inspirar o público. “É uma nova proposta de reflexão, por meio da arte, sobre a energia nuclear. Ela faz parte do nosso contexto diário, e por isso mesmo tem que estar em uma novela, em um filme”, defende a socióloga. Para ela, o festival é uma excelente oportunidade de ampliar a discussão sobre a indústria nuclear e fornecer informações isentas para que as pessoas decidam sobre o tipo de energia que deve prevalecer no futuro.

Diretor e idealizador do Uranium Festival, o alemão Norbert  Suchanek explica a importância de se instituir uma mostra como esta no Brasil, país que privilegia as usinas hidrelétricas como fonte de energia, mas mantém ativas duas usinas nucleares. “Alguns falam que a energia nuclear é uma energia limpa, outros defendem o contrário. Enquanto esses dois lados discutem , há, no meio, uma população de milhões de habitantes sem saber de nada. A maioria da população não sabe como funciona uma usina”, explica Norbert, jornalista e engenheiro químico, radicado no bairro carioca de Santa Tereza.

Variedade

Durante duas semanas, o festival vai exibir 52 produções audiovisuais de 19 países. Em comum, o tema do uso da energia nuclear e suas consequências na vida das pessoas. São nove estreias mundiais. E a abordagem é variada, com filmes, documentários e animações que tratam desde a mineração do urânio, passando pelas usinas nucleares até o lixo radioativo.

O festival surgiu em 2011, inspirado em um encontro de povos indígenas atingidos por catástrofes nucleares, do qual Norbert participara nos Estados Unidos, em 2006. Um dos filmes exibidos no encontro mostrava uma enfermeira, emocionada, medindo a radioatividade no corpo de uma criança e repetindo que aquilo nunca mais devia acontecer no mundo. Norbert e Márcia uniram esforços e lançaram o festival no Brasil, como forma de levar essa discussão ao grande público, e não só a especialistas em energia nuclear. “É uma forma de dar visibilidade ao que é invisível. Para isso, não há nada como o audiovisual”, defende Márcia.

Ela conta que é surpreendente a quantidade de filmes que chegam a cada ano. “A variedade é incrível. Temos recebido animação, documentário, filme de arte e também muitos filmes de ficção. Estamos vendo uma nova forma de refletir a energia nuclear, que é um problema de todos, e não apenas dos países que usam essa fonte de energia”, explica.

Além do tema, as produções têm em comum o fato de serem independentes. Mas isso não significa filmes de baixa qualidade. Ao contrário, é o que garante o idealizador do festival. “Selecionamos os filmes usando como critério a qualidade de imagem e técnica, além da temática. São altas produções”, diz Norbert. Além dos dois diretores, o júri é composto por dois professores de cinema e um diretor da Cinemateca do MAM.

Na abertura, dia 16, o Uranium Film Festival contou com a presença do premiado cineasta indiano Sri Prakash. O festival receberá ainda cineastas do Japão, Argentina, Estados Unidos e Rússia. Na sexta, teve a estreia mundial do filme de animação Fairlights (Feira Furturista), da Alemanha. Outra estreia mundial é o documentário israelense Uranium To Die For (Urânio para Morrer).  

A programação completa do festival pode ser conferida no endereço www.uraniumfilmfestival.org

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